Ex-agente do Carandiru diz que viu 75 mortos antes da entrada da Polícia Militar

Por Agência Brasil |

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Massacre ocorreu em outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos e 87 ficaram feridos em uma operação policial

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O julgamento da terceira etapa do Massacre do Carandiru foi retomado hoje (18) com a oitiva de duas testemunhas de defesa, o ex-secretário de Segurança Pública Pedro Franco de Campos e o agente penitenciário Francisco Carlos Leme, chefe do plantão no dia do massacre, que falou pela primeira vez no tribunal. Leme relatou ter visto cerca de 75 corpos estendidos antes da entrada da Polícia Militar (PM) no Pavilhão 9.

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1º júri: Júri condena 23 PMs a 156 anos de prisão por massacre no Carandiru

2º júri: Júri condena 25 PMs a 624 anos de prisão por massacre no Carandiru

Julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressA nova fase do julgamento conta com 26 policiais no banco dos réus, dos 79 agentes acusados. Foto: Futura PressO massacre que aconteceu em 1992 foi o pior da história do sistema penitenciário brasileiro. Foto: Futura PressO Juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo durante julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressJulgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressHomem protesta pedindo reforma do sistema penitenciário em frente ao Fórum onde acontece o julgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressEm outubro do ano passado, cento e onze cruzes foram colocam em frente ao Largo São Francisco por alunos da Faculdade de Direito, em lembrança aos mortos do massacre ocorrido há 20 anos, onde morreram 111 presos. Foto: Futura Press

Segundo ele, cerca de 50 corpos estavam no pátio, “a maioria ferida por arma branca”. De acordo com Leme, a PM só ingressou no local depois que ele saiu. “Fui o penúltimo a sair do Pavilhão 9”, disse o agente.

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Questionado pelo advogado de defesa Celso Vendramini, Francisco Leme contou que ouviu estampidos de armas de baixo calibre nos andares superiores do pavilhão antes da entrada da polícia. Leme disse que era comum encontrar revólveres no presídio, e que ele próprio havia apreendido três armas com presidiários no Carandiru.

Naquele dia 2 de outubro de 1992, desde o início da manhã, quando começou seu expediente, Leme disse que notou algo diferente no clima dentro do presídio. De acordo com o agente penitenciário, disputas ligadas ao tráfico de drogas deram início à briga no Pavilhão 9, que terminaram no massacre. “Foi uma briga entre eles [presos]”, afirmou Leme, lembrando que, um mês antes, avisou a direção do presídio sobre o "clima diferente", mas foi ignorado.

Os promotores Márcio Friggi de Carvalho e Eduardo Olavo Canto Neto, porém, apontaram muitas contradições no depoimento do agente penitenciário. Eles compararam o relato de hoje com depoimento dado por Leme na Polícia Civil cerca de dois meses após o massacre. Na época, ele disse que ouviu estampidos de armas antes do ingresso do PM, mas que não podia precisar se os disparos vinham de dentro para fora ou de fora para dentro do Carandiru.

Em seu depoimento, o ex-secretário Pedro Franco Campos, que já tinha sido ouvido anteriormente pelo tribunal, reafirmou não ter nenhuma dúvida sobre a necessidade de entrada da Polícia Militar no Carandiru.

O Massacre do Carandiru ocorreu no dia 2 de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos e 87 ficaram feridos durante uma operação policial destinada a reprimir uma rebelião no Pavilhão 9.

Na primeira etapa do julgamento, em abril do ano passado, 23 policiais foram condenados a 156 anos de reclusão, cada um, pela morte de 13 detentos. Na segunda etapa, em agosto, 25 policiais foram condenados a 624 anos de reclusão, cada um, pela morte de 52 detentos que ocupavam o terceiro pavimento do Pavilhão 9.

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