Júri do massacre do Carandiru é composto por sete homens

Por iG São Paulo |

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Quinze policiais militares são acusados pela morte de 8 detentos no quarto pavimento do pavilhão 9 do presídio

Começou por volta das 11h o júri popular do terceiro grupo de policiais militares acusado de participação no massacre do Carandiru, que resultou na morte de 111 detentos do presídio da zona norte de São Paulo, em outubro de 1992. Quinze réus respondem pela morte de oito presos e duas tentativas de homicídio que ocorreram no 4º pavimento do pavilhão 9 do presídio. O júri é composto por sete homens, segundo o Tribunal de Justiça (TJ).

1º júri: Júri condena 23 PMs a 156 anos de prisão por massacre no Carandiru

2º júri: Júri condena 25 PMs a 624 anos de prisão por massacre no Carandiru

Veja imagens do segundo júri do massacre do Carandiru:

Julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressA nova fase do julgamento conta com 26 policiais no banco dos réus, dos 79 agentes acusados. Foto: Futura PressO massacre que aconteceu em 1992 foi o pior da história do sistema penitenciário brasileiro. Foto: Futura PressO Juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo durante julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressJulgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressHomem protesta pedindo reforma do sistema penitenciário em frente ao Fórum onde acontece o julgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressEm outubro do ano passado, cento e onze cruzes foram colocam em frente ao Largo São Francisco por alunos da Faculdade de Direito, em lembrança aos mortos do massacre ocorrido há 20 anos, onde morreram 111 presos. Foto: Futura Press

A abertura dos trabalhos aconteceu com o sorteio e escolha dos jurados. O terceiro júri é presidido pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, com os promotores Márcio Friggi e Eduardo Olavo sendo responsáveis pela apresentação das acusações contra os réus. A defesa cabe ao advogado Celso Machado Vendramini. 

Por envolver grande número de réus e de vítimas, o julgamento do massacre do Carandiru foi desmembrado em quatro etapas, de acordo com o que aconteceu em cada um dos quatro andares do pavilhão 9 da Casa de Detenção.

Das seis testemunhas arroladas pelo Ministério Público, três não foram encontradas; por isso, deverão ser ouvidos somente o ex-detento Marco Antonio de Moura, o perito Osvaldo Negrini Neto e o ex-diretor da Divisão de Segurança e Disciplina da Casa de Detenção do Carandiru Moacir dos Santos. Todos eles já foram ouvidos nas etapas anteriores do julgamento.

O primeiro a ser ouvido foi o perito Osvaldo Negrini. Ele declarou que foi ao presídio no carro de um delegado, junto com um fotógrafo da perícia. Chegando ao local, foi impedido de entrar no Carandiru e levou cerca de duas horas para convencer os policiais a autorizarem sua entrada no Pavilhão 9. Segundo ele, assim que entrou no pavilhão, presenciou “cenas de uma violência descomunal, descabida”.

Depois foi a vez do depoimento de Moacir dos Santos. O júri foi encerrado nesta segunda-feira (17) e será retomado nesta terça-feira (18).

A expectativa do juiz é que amanhã sejam ouvidas as testemunhas de defesa. Só então os 15 policiais, réus do processo, serão interrogados. De acordo com o juiz, todos os réus deverão ser interrogados. Neste julgamento, o advogado de defesa e os promotores não chegaram a um acordo e, portanto, não ocorrerá a exibição de vídeos.

Na primeira etapa do julgamento, em abril do ano passado, 23 policiais foram condenados a 156 anos de reclusão cada um pela morte de 13 detentos. Na segunda etapa, em agosto, 25 policiais foram condenados a 624 anos de reclusão cada um pela morte de 52 detentos que ocupavam o terceiro pavimento do pavilhão 9.

Defesa

Na chegada ao Fórum Criminal da Barra Funda, na capital paulista, o advogado dos quinze policiais, Celso Vendramini, disse que as mortes ocorreram por um acerto de contas entre os presos. Com isso, a estratégia de defesa do advogado será afirmar que o massacre foi motivado pela briga entre facções de detentos.

Vendramini disse que chegou à conclusão, após ler os 71 volumes do processo, que um preso que estava no pavilhão 9, conhecido como Benedito, delatou aos agentes penitenciários que armas estariam sendo enviadas para outro presídio em Guarulhos. "Houve uma caguetagem para os agentes e essa rebelião foi debelada. Foi briga de quadrilhas, foi acerto de contas entre os presos", declarou. Essa versão é diferente da defendida anteriormente, de que a briga generalizada entre os presos teria começado após uma discussão num jogo de futebol.

Segundo Vendramini, entre os acusados, três são coronéis da Polícia Militar e um deles ainda está na ativa. O advogado informou que todos os policiais vão ser interrogados. Entre as testemunhas chamadas por ele estão o ex-secretário de Segurança Pública à época, um desembargador e três agentes penitenciários. Vendramini espera que o julgamento termine antes de sexta-feira (21).

O advogado acredita que os réus serão absolvidos, pois não podem ser responsabilizados pela autoria das mortes. Segundo ele, antes mesmo da Polícia Militar entrar já havia aproximadamente 20 mortos no pavimento. "Os policiais entraram e fizeram disparo de bala de fogo, mas não dispararam em direção a quem quer que seja. Os presos atiravam neles e eles revidavam em direção aos clarões, mas nem eles [policiais] sabem se acertaram alguém", disse.

* Com Agência Brasil

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