Morre Jorge Wilheim, arquiteto da reurbanização do Vale do Anhangabaú

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Aos 86 anos, urbanista estava internado desde dezembro na capital paulista após sofrer um acidente de trânsito

O arquiteto e urbanista Jorge Wilheim morreu na madrugada desta sexta-feira (14). Aos 86 anos, ele estava internado desde dezembro de 2013 no Hospital Albert Einstein, na zona sul de São Paulo, depois de sofrer um acidente de trânsito.

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Divulgação
O italiano Jorge Wilheim nascido em 1928 e chegou ao Brasil aos 12 anos de idade

Jorge Wilheim foi um dos principais urbanistas brasileiros com atuação política, sendo reconhecido por trabalhos como a reurbanização do Vale do Anhangabaú e do Pateo do Colégio (local de fundação de São Paulo), projetos do Parque Anhembi, mais de 20 planos urbanos incluindo o de Curitiba e da Cidade Industrial de Londrina e o Plano Diretor Estratégico que vigora em São Paulo desde 2002.

Italiano nascido em 1928, tendo chegado no Brasil aos 12 anos de idade, o arquiteto foi um dos fundadores da Rede Nossa São Paulo e integrante de seu Colegiado de Apoio. Foi secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo na década de 1970 e e duas vezes secretário de Planejamento da capital paulista, nas gestões de Mário Covas e Marta Suplicy.

O velório de Jorge Wilheim ocorre até as 14h desta sexta-feira no Hospital Albert Einstein. O enterro será no cemitério Israelita do Butantã.

Histórico

Jorge Wilheim ingressou na vida política como secretário estadual de Economia e Planejamento, na gestão Paulo Egydio Martins (1975), e de 1983 a 1986, no governo Mário Covas, foi titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla). Coordenou a elaboração do Plano Diretor de São Paulo de 1984 (não efetivado).

Em 1981, venceu, em co-autoria com Rosa Grena Kliass, o concurso para a reurbanização do Vale do Anhangabaú, construído e inaugurado dez anos mais tarde.

Em 1985, auxiliado por Jonas Birger, projetou o Centro de Diagnósticos do Hospital Albert Einstein. No mesmo ano, tornou-se presidente da Fundação Bienal de São Paulo. No governo Orestes Quércia, de 1987 a 1991, foi nomeado secretário estadual do Meio Ambiente.

Na administração seguinte, de Luiz Antônio Fleury Filho, entre 1991 e 1994, ocupou a presidência da Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo (Emplasa) e, em 1994, a convite da Organização das Nações Unidas (ONU), mudou-se para Nairóbi, no Quênia, para assumir o cargo de secretário-geral adjunto da Conferência Mundial Habitat 2, realizada em 1996, em Istambul, Turquia.

De volta ao Brasil, retomou projetos de planos diretores para cidades como Campos do Jordão e São Paulo, em 2000, e Araxá (MG), em 2002, além de realizar o projeto da cidade industrial de Londrina (PR) em 1997.

Retornou à vida pública na administração da prefeita Marta Suplicy, entre 2001 a 2004, novamente como secretário da Sempla. Na ocasião, coordenou a elaboração do Plano Diretor Estratégico de 2002, que vigora até hoje na cidade de São Paulo. Nesse período, publicou o livro “Tênue Esperança no Vasto Caos: Questões do Proto-Renascimento do Século XXI”, em que procurou sistematizar sua experiência no campo do urbanismo, lançando perspectivas para o futuro das cidades.

Também é autor de oito livros sobre urbanismo, desenvolvimento e vida urbana, entre os quais "FAX - Mensagens de um Futuro Próximo", também traduzido para o inglês.

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