Promotores do Ministério Público vão convidar jovens para tentar entender movimento que tem gerado reclamações de shoppings centers no País

Os promotores do Ministério Público (MP) de São Paulo vão convidar os adolescentes que participam dos 'rolezinhos' - encontros em shopings centers organizados pelas redes sociais - para conversar e tentar entender o fenômeno que começou no final do ano passado. A ideia dos promotores ė de que os jovens comecem a ser ouvidos na próxima semana.

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Segundo o promotor de Habitação e Urbanismo Maurício Antonio Ribeiro Lopes, o fenomeno é novo e precisa ser entendido. "Estamos diante de algo novo, que precisa ser compreendido. O nosso caminho é entender como e por quê [acontecem] e tentar reverter".

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O MP também informou que quer atuar como mediador entre representantes dos shoppings e participantes dos rolezinhos. Promotores das áreas de Infância e Juventude, Criminal, Defesa do Consumidor e Habitação Urbanismo farão parte da comissão de mediação.

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Os trabalhos já começaram. Representantes da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) se reuniram com os promotores na quarta-deira (15). A intenção dos promotores é começar a ouvir os jovens na próxima semana. Ainda não há definição de como eles serão convidados.

Segundo Luciana Bergamo, promotora da Infância e Juventude, a mediação é nescessária porque as vias judiciais não são suficientes. "A questão do rolezinho é muito ampla e não se resolve com a busca do direito. Soluções judiciais não estão dando conta e por isso pensamos num processo de mediação".

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Discriminação

Para a Promotoria, os shoppings têm que respeitar o direito de ir e vir dos jovens, que está garantido pela Constituição. Por outro lado, os centros de compras também têm o direito a pedir liminares que impeçam a entrada e circulação de pessoas desde que não haja discriminação.

Segundo os promotores, os shoppings podem fechar as portas, desde que todos os consumindores sejam impedidos de entrar. "É um direito de igualdade e nenhuma atitude discriminatoria pode ser admitida", disse o promotor criminal Alfonso Presti, se referindo a seleção feita pelo Shopping JK Iguatemi, que no sabado (11) impediu a entrada de adolescentes desacompanhados. O centro de compra obteve liminar na Justiça para impedir o acesso e circulação dos jovens.

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