Shopping Campo Limpo e Jardim Sul fecharam as portas para evitar manifestação marcada por grupo sem-teto

O Shopping Campo Limpo e o Shopping Jardim Sul, ambos na zona sul de São Paulo, fecharam as portas mais cedo nesta quinta-feira (16) para evitar o 'rolezão'  convocado por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). O fechamento dos centros de compra aconteceu antes mesmo da chegada dos manifestantes, que assim mesmo realizaram passeatas nas proximidades dos shoppings.

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O chamado 'rolezão popular' foi marcado para esta quinta-feira com o intuito de protestar contra a reação e repressão policial contra os chamados “rolezinhos” nos shoppings da capital paulista.

O evento: Sem-teto marcam 'rolezão' em dois shoppings da zona sul de São Paulo

Apesarem de ter fechados as portas, as manifestações ocorreram nas ruas ao redor. No Shopping Campo Limpo, as portas foram fechadas por volta das 17 horas. Por volta das 18h30, os manifestantes que se concentraram em frente ao local impediram o tráfego de veículos na Estrada do Campo Limpo, que foi liberada em seguida. Com bandeiras, o grupo seguiu por ruas da região.

No outro shopping center marcado para receber o ato, o Jardim Sul, as portas laterais foram fechadas às 17h30. Apenas a entrada principal ficou aberta, mas o acesso foi feito apenas por funcionários. 

Com a chegada dos manifestantes, a cena se repetiu. O grupo de cerca de 500 pessoas percorreu a região em protesto e se concentrou na rua atrás do estabelecimento. Lá, eles leram o manifesto contra o preconceito e - por não terem conseguido entram do lugar para comer - distribuíram pães com mortadela para os integrantes do protesto.

Entrada do Jardim Sul sendo fechada nesta quinta-feira
Ana Flávia Oliveira
Entrada do Jardim Sul sendo fechada nesta quinta-feira

Um 'empurra-empurra' foi registrado no local após alguns manifestantes tentarem acessar o interior do shopping passando por um cordão de isolamento de uma das portas, mas foram impedidos pelos seguranças. 

Vendas

Segundo vendedores, o movimento do Shopping Jardim Sul ficou abaixo do esperado e as vendas foram prejudicadas. Uma venderora de uma loja de roupas que não quis se identicar disse que normalmente vende R$ 1.500 e hoje não chegou a atender um cliente.

A manicure Angela Marcia Lira, 34 anos, disse que deixou de ganhar R$ 150. "Atendo dez clientes por dia. Hoje atendi apenas uma. As clientes desmarcaram por medo", segundo ela.

Ainda de acordo com funcionários, a energia elétrica do empreendimento acabou pouco antes das 17h30 e os seguranças orientaram os lojistas a baixarem as portas.


A manifestação

A coordenadora do MTST Jussara Basso classifica como discriminatória a posição dos shoppings de reforçar a segurança terceirizada, pedir auxilio da Polícia Militar e obter liminares (decisões) judiciais para impedir a entrada e circulação de jovens participantes dos rolezinhos.

E é para protestar contra os centros de compra que o MTST convocou para esta quinta-feira (16) “rolezão” dos shoppings Jardim Sul e Campo Limpo. “O ‘rolezão’ é uma manifestação contra o preconceito racial, social e cultural dos shoppings que proíbem a entrada dos jovens da periferia”, explicou Jussara. A expectativa dos líderes do movimento era que as manifestações reunissem cerca de 3.000 pessoas nos dois centros de compra.

Segundo Jussara, o encontro é pacifica e o movimento ainda não decidiu se os participantes entrariam nos shoppings. “Não há a possibilidade de confronto [com PM ou seguranças dos shoppings]. Nossas manifestações são sempre muito bem organizadas. Se sentirmos que há a possibilidade de confronto, não entraremos”, afirmou.

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