Secretário de Transportes adia decisão sobre táxis em corredores de ônibus

Por Ana Flávia Oliveira - iG São Paulo | - Atualizada às

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Prefeitura tem até dia 2 de fevereiro para decidir. Estudo indica que ônibus ganhariam 25% de velocidade, caso táxis sejam proibidos de trafegar nos corredores

A reunião do Conselho Municipal de Transito e Transportes terminou sem definição a respeito da saída dos táxis nos corredores dos ônibus. O secretário de Transportes, Jilmar Tatto, se reuniu na manhã desta quarta-feira (15) com representantes dos taxistas, especialistas em transporte e usuários do transporte público, no auditório da Biblioteca Mário de Andrade, na região central.

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Táxi atrapalha corredor de ônibus em São Paulo, afirma secretário

Prefeitura de São Paulo recomenda vetar táxi em corredor de ônibus

João Luiz/SECOM
Reunião do conselho na região central de São Paulo, nesta quarta-feira (15)

Durante a reunião, que durou três horas, a prefeitura de São Paulo apresentou os resultados dos estudos para retirada dos corredores de ônibus e ampliação geográfica do rodízio municipal. O estudo foi feito a pedido do Ministério Público. A prefeitura tem até o dia 2 de fevereiro para tomar uma decisão sobre os táxis.

Tatto afirmou que não vai tomar nenhuma decisão até que se expire o prazo dado pelo Ministério Público. “Temos até do dia 2 [de fevereiro] para responder ao Ministério Público. Nós estamos refletindo bastante e não tem nada decidido e os taxistas continuam nos corredores”, disse.

Segundo o promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo, Mauricio Ribeiro Lopes, o prazo pode ser estendido caso a prefeitura apresente razões "de natureza técnica". O prefeito Fernando Haddad (PT) já disse que pode pedir mais tempo para decidir sobre o assunto. Mas o secretário Jilmar Tatto descartou a possibilidade.

“Não trabalhamos com essa hipótese [de pedir prorrogação do prazo]. Existe essa possibilidade, mas nesse momento tem o pedido de prorrogação”, afirmou.

O estudo foi feito pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), pela SPTrans, empresa que gerencia os transportes municipais, e por uma consultoria contratada pela prefeitura.

De acordo com a prefeitura, os ônibus ganhariam velocidade com a saída dos taxis do corredor. Um exemplo apresentado pelo levantamento é o aumento de 19%, em média, na velocidade dos coletivos que trafegam pela avenida Rebouças (zona oeste) e perda de5% na velocidade dos táxis que trafegam pela mesma via.

Ainda de acordo com a prefeitura, os coletivos andariam 35 % mais rápido no sentido bairro no corredor da avenida Nove de Julho (entre as avenidas Faria Lima e Doutor Arnaldo) se os táxis fossem proibidos de trafegar na via à esquerda. Os usuários de taxis andariam 3% mais devagar no mesmo trecho.

As medições foram realizadas no horário de pico da manhã, de acordo com a CET.

Para Lopes, o estudo é conclusivo e mostra que os táxis devem sair dos corredores. "O estudo é conclusivo no que se refere à conveniência de tirar todo e qualquer veiculo que não seja ônibus do corredor. Fora disso, há comprometimento da fluidez, da velocidade, da capacidade e do tempo de transporte que os passageiros dos coletivos levam."

Lopes chegou a ser hostilizado pelos taxistas, que são contra a proibição dos táxis nos corredores, e foi embora mais cedo.

Os profissionais dizem que os táxis não são os "vilões" do trânsito da capital e que, se saírem dos corredores, prejudicarão os usuários.

Taxistas

Segundo a Adetax, que representa empresas de taxis, os carros de praça não comprometem a velocidade dos ônibus, pois “só podem trafegar pelos corredores se estiverem com passageiros, que não podem ser embarcados ou desembarcados nessas vias”.

Jorge Spínola, membro da diretoria da Associação das Rádio Táxis de São Paulo (Artasp), sugere que os táxis sejam proibidos nos corredores apenas nos horários de pico.

“Uma das propostas é não retirar os táxis do corredor. Restringir naqueles horários de maior demanda. Nos horários ociosos, os ônibus circulam vazios e os táxis vão ficar presos no trânsito?”, questionou Spínola.

Para o engenheiro Horácio Augusto Figueira, consultor em transporte e tráfego, a CET deveria fazer testes prático por 15 dias, período em que não seriam permitidos táxis nos corredores. “Compara-se a velocidade dos ônibus antes com GPS e depois, ao longo do dia, por trecho. A simulação [feita pela prefeitura] é boa para uma primeira avaliação, mas se é possível fazer um teste real, vamos fazer.”

Ampliação do rodízio

A reunião também serviu para a apresentação da proposta de ampliação geográfica do rodízio municipal.

Atualmente a restrição existe apenas nos 150 km², que formam um anel viário ao redor da região central, conhecido como centro expandido. Com a proposta, o rodízio chegará a mais 400 vias, inclusive na periferia da cidade. A previsão é que a medida comece a valer até o final de abril.

O horário (das 7h às 10h e das 17h às 20h) e dias da restrição, de acordo com o final da placa do veículo, seriam mantidos. A expectativa da gestão é que a velocidade média dos carros aumente 8,5%.

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