Jovens foram detidos para averiguação neste domingo após corre-corre no Shopping Interlagos

Marcado para começar às 16h, a manifestação de garotos da periferia de São Paulo marcada para acontecer no Shopping Interlagos, na zona sul da capital paulista, começou com meia hora de atraso em razão do forte esquema de segurança preparado para evitar o corre-corre pelos corredores do centro de compras durante o chamado “rolezinho”. Não houve registro de furto ou roubo nas dependências do local. 

Polícia frustra manifestação em shopping na zona sul de São Paulo

Sob forte esquema de segurança em frente ao shopping, uma base móvel da polícia e quatro camburões faziam a revista de suspeitos que chegavam ao local. No estacionamento, outros quatros camburões da Polícia Militar, um do GOE e cinco carros da segurança particular montavam guarda.


Quando os primeiros adolescentes com as características do grupo - jovens vestindo roupas de marca e correntes de prata no pescoço - começaram a chegar, a segurança começou a pedir que eles deixassem o local, causando a indignação de alguns. Outros foram liberados a entrar, mas impedidos de esperar em frente ao estacionamento.

Em seguida, houve tumulto quando um grupo de aproximadamente 20 rapazes começou um corre-corre dentro do shopping. A maioria dos compradores foi para dentro das lojas, enquanto os comerciantes fechavam as portas de seus estabelecimentos. Não houve registro de furto ou roubo no local.

A tensão durou cerca de 20 minutos quando os clientes voltaram assustados para os corredores do centro de compras, alguns com o propósito de ir embora. Esse foi o caso do casal Bruno (33) e Naiara Bessornia (29). "Isso só acontece porque não tem polícia", disse ele. "É uma ação para assustar. Todo mundo sai correndo sem saber o motivo", emendou a mulher. 

Favoráveis à manifestação, três amigas estavam empolgadas com o tumulto. "Eu vim porque recebi um convite no Facebook", garantiu a estudante Victoria Aires, de 18 anos. A colega Lianda Alves (16) disse que o “rolezinho” não tem assalto, "mas rola uns beijos e uma correria". "Vim para ver, não para participar. Ainda sou muito nova para ser presa."

Rita Souza, também estudante de 18 anos, era a mais entusiasmada. "Estou adorando". Mal terminou a frase e novo alvoroço tomou conta dos corredores, obrigando mais lojas a baixarem as portas.

Do lado de fora, 14 jovens – entre eles menores de idade – aguardavam autorização da polícia para entrar nos camburões e passar por averiguação em uma delegacia não definida, segundo o investigador que comandou a ação, mas que estava proibido de conceder entrevista.

Do lado de fora, um menor reclamou para a reportagem sobre a forma como foi tratado no shopping. "Eles enfiaram a mão no meu bolso, tiraram o meu dinheiro e perguntaram o que eu estava fazendo com aquela merreca no bolso."

De acordo com a assessoria de imprensa do shopping, houve apenas "início de tumulto" e "ninguém abusou de autoridade".

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