Sem-teto permanecem acampados em frente à prefeitura de São Paulo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Cerca de 300 pessoas protestam contra corte de energia elétrica na ocupação do prédio no centro da capital

Um grupo de sem teto está acampado em frente à prefeitura de São Paulo, na calçada do Viaduto do Chá, em protesto contra o corte energia elétrica na ocupação do prédio do Cine Marrocos, no centro da capital, realizado há 20 dias. Foram montadas, na noite desse domingo (15), 160 barracas, e 300 manifestantes participam do ato, segundo contagem da Polícia Militar.

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Agência Brasil
Manifestantes acampados em frente à Prefeitura

De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), o prédio apresenta riscos por ter fiação exposta. O corte na energia elétrica, feito pela prefeitura, foi uma medida de segurança e seria feito independentemente da ocupação.

A Sehab informou que o imóvel foi desapropriado antes da chegada das famílias, o que ocorreu no dia 2 de novembro. O local recebeu decreto de utilidade pública e pertence à Secretaria Municipal de Educação.

O prédio, ocupado no início de novembro, abriga 350 famílias, um total de 900 pessoas,informou a coordenadoria do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Localizado no centro, o imóvel tem 12 andares e quatro torres. Com a falta de energia elétrica, os moradores estão também sem água, já que o bombeamento hidráulico depende de energia.

A Secretaria Municipal de Habitação informou que o corte de energia foi uma medida preventiva,por causa da precária situação do imóvel. “O prédio do Cine Marrocos encontra-se em péssimo estado de conservação, inclusive a rede elétrica. Por isso, a energia elétrica foi interrompida como medida de proteção, para não pôr em risco aqueles que ali estão”, diz nota da secretaria.

O coordenador-geral do MTST, Vladimir Cordeiro Brito, discorda. “No prédio não tem gato [ligação irregular], nem fiação exposta”, disse ele. Segundo Brito, quando as famílias ocuparam o local, a energia já funcionava normalmente. Ele informou que os ocupantes concordam em pagar a despesa e só não fizeram isso antes porque não receberam as contas. “Podem mandar a conta de água e a de luz, que reunimos todos os moradores e pagamos. Em todas as outras ocupações, nós pagamos”, garantiu Brito.

De acordo com a Secretaria da Habitação, o prédio foi desapropriado e recebeu decreto de utilidade pública. O imóvel seria destinado à Secretaria Municipal de Educação para funcionar como uma nova sede ou equipamento público.

No entanto, Vladimir afirma que o local teria mais utilidade se fosse destinado à habitação popular. “A procura por moradia em São Paulo é grande. A maioria dessas pessoas [da ocupação Cine Marrocos], ou estava na rua, ou estava em albergue, ou morando de favor, ou embaixo da ponte. Quando ocupamos o prédio, havia 60 famílias, agora a fila de espera está com 1,2 mil pessoas.”

A artesã Márcia Alípio, de 48 anos, mora no Cine Marrocos com o filho de 28 anos, que sofre de esquizofrenia. Ela fez de sua casa um local de trabalho. No pequeno cômodo, ela faz vestidos de festa e de noiva e, com isso, tem rendimento mensal de R$ 700. “Agora estou com as entregas atrasadas, porque estamos sem luz”, lamentou.

Catador de material reciclável, Luís José da Silva é pai de 12 filhos e morava na rua, quando conheceu o MTST. Ele se juntou ao movimento em uma ocupação em Heliópolis, na zona sul de São Paulo. Silva reclamou do corte de energia, dizendo que não há risco de incêndio no prédio. “Não tem nada disso, eles estão mentindo. A fiação está perfeita, está do jeito que eles deixaram lá.”

O garçom Alexandre Henrique da Silva, de 28 anos, mora com a mãe no prédio ocupado. Ele também disse que não problema com a fiação do prédio. “Não fizeram gato lá, porque, quando eu cheguei a essa ocupação – e eu estou desde o começo – já tinha energia lá.”

*Com Agência Brasil

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