Após protesto, moradores desocupam suas casas em reintegração em SP

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Grupo de 200 pessoas chegou a fechar os dois sentidos da avenida Guilherme Dumont Vilares. CET recomenda que motoristas evitem região devido ao congestionamento

Cerca de 200 pessoas que moram na comunidade da Vila Andrade, na rua Doutor Sóter de Faria, na região do Morumbi, protestaram na manhã desta quinta-feira (5) contra o cumprimento pela Polícia Militar da ordem de reintegração de posse do local. Os manifestante atearam fogo em pneus, madeiras e sofás para atrapalhar a atuação dos policiais.

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Dario Oliveira/Futura Press
Polícia acompanhou a retirada dos bens dos moradores após o fim do protesto


Por volta das 10h, ambos os sentido da Avenida Guilherme Dumont Vilares foram liberados pelo ato. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) recomenda aos motoristas que ainda evitem trafegar pela região devido ao congestionamento. A alternativa são as ruas José da Silva Ribeiro e Charles Spencer Chaplin. 

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) publicou na quarta-feira (4) em redes sociais seu apoio à causa dos moradores da Vila Andrade. Segundo o grupo, a comunidade é composta por 57 famílias que moram há mais de 40 anos na região. "Não se trata de uma ocupação, já que os moradores pagaram pelo terreno", argumentam.

O acordo feito entre a liderança da comunidade e o capitão Hebert Moraes foi para que a Tropa de Choque recuasse, enquanto as famílias retornariam às casas para fazer a retiradas de pertences.

“As famílias têm consciência de que há um efetivo enorme de policiais, e vão desobstruir a via, pelo menos um membro de cada casa vai guarnecer os seus móveis e vão permitir que entrem os caminhões de mudanças”, informou Ramon Koelle, advogado dos moradores.

De acordo com Suzete Maria Garcia Mendes, oficial de justiça do Fórum de Santo Amaro a área tem sete lotes e todos pertencem à Cristiane Copppola Bove Santos, entre outros proprietários.

O advogado das famílias, porém, diz que a antiga proprietária do terreno estava com processo de usucapião do local. “Só que usucapião é pessoal, você só pode usucapiar para você. Ela [proprietária] colocava outros para morar nessa área. Então, o processo de usucapião tinha que ser em nome dessas famílias”, defende.

Vitalina Cardoso Silva, de 48 anos é uma das moradoras mais antigas da comunidade. Ela diz que não tem para onde ir. “É muito triste, porque a minha vida eu fiz aqui. Meus filhos nasceram e se criaram aqui. Eu vim para cá com 18 anos”, lamenta.

Daniel Andrade, de 46 anos, motorista, morou durante um ano e meio no local. “Eu fui adotado por essa comunidade quando vim para cá. É difícil, época de fim do ano e Natal. Todo mundo sabia que um dia ia ter que sair, mas que fosse de uma forma digna, que viessem fazer um cadastro das pessoas, que oferecessem auxílio aluguel e alimentação”, reclamou.

Aos moradores, a prefeitura ofereceu abrigo. Os proprietários do terreno disponibilizaram 12 caminhões para a mudança, além de depósitos judiciais para onde serão levados os móveis por 30 dias.

* Com AE e Agência Brasil

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