Incidente em São Paulo teria sido agravado pelo fato de os hidrantes do local não terem funcionado e pelo despreparo do corpo de brigadistas civis

O Corpo de Bombeiros estima que 90% do interior do Auditório Simón Bolívar, no Memorial da América Latina, foi destruído no incêndio ocorrido na tarde de sexta-feira (29). A corporação só terminou o trabalho de rescaldo no fim da manhã deste sábado (30).

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Hidrantes do Memorial da América Latina não funcionaram, dizem bombeiros

Agentes da Defesa Civil e da Polícia Científica já iniciaram a investigação sobre as causas do fogo, mas já se sabe que os hidrantes do Memorial não estavam funcionando e que o corpo de brigadistas civis mostrou despreparo na abordagem inicial para tentar conter as chamas.


O incêndio quebrou vidraças, derreteu metais e provocou rachaduras nas paredes. O balanço final dos bombeiros foi de 25 feridos - todos bombeiros que trabalhavam no combate às chamas. Destes, cinco permaneciam internados no Hospital das Clínicas no sábado - quatro estavam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

"Queimou tudo. Só ficou um vazio lá dentro. As cadeiras, o palco, o revestimento das paredes, não sobrou nada", disse o 1.º tenente dos Bombeiros Mauro Brancalhão, um dos agentes que entrou no prédio para combater as chamas.

Os funcionários do Memorial ainda estão concluindo um inventário do material perdido nas chamas, que pode incluir uma tapeçaria da artista plástica Tomie Ohtake. Um funcionário do Memorial informou que as plantas originais de Oscar Niemeyer, autor do projeto, estavam em uma sala no interior do auditório que foi preservada pelas chamas.

O diretor-presidente da Fundação Memorial da América Latina, João Batista de Andrade, afirmou que ainda não há certeza sobre todos os documentos e materiais que estavam no prédio. "Vocês imaginam como é um teatro. Depois de um ano de funcionamento, sobram alguns materiais. Depois de dois, tem mais um pouco. O Memorial tem 25 anos", contou. "O importante é que, há dois meses, fizemos uma grande limpeza no interior do prédio e retiramos uma série de materiais", disse.

O secretário de Estado da Cultura, Marcelo Mattos Araújo, informou que, independentemente do grau da destruição, o Auditório Simón Bolívar será restaurado. "Vamos garantir o mais pronto restauro do auditório." Não havia ainda, entretanto, uma estimativa do prejuízo causado pelo acidente. "A tapeçaria de Tomie Ohtake pode ser feita com facilidade. Ela tem o projeto original", afirmou Andrade.

*Com informações da Agência Estado

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