Hidrantes não funcionaram durante incêndio no Memorial, dizem bombeiros

Por iG São Paulo |

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Bombeiros dizem que brigadistas do local estavam despreparados para o combate às chamas, e Prefeitura afirma que auditório incendiado tinha alvará vencido

O combate ao incêndio que atingiu nesta sexta-feira (29) o Auditório Simon Bolívar do Memorial da América Latina, em São Paulo e deixou um saldo de 16 feridos (todos bombeiros) pode ter sido dificultado pelo despreparo da equipe de brigadistas do local e pela deficiência no funcionamento de hidrantes, segundo informações do jornal O Estado de S.Paulo. 

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Perícia investiga despreparo de brigadistas e hidrantes do Memorial

Bombeiros que participaram da operação dizem que além de os hidrantes não estarem funcionando, os brigadistas não sabiam operá-lo. Além disso, teriam usado um extintor de incêndio de água em uma lâmpada em chamas, no interior da Ala B do Auditório Simon Bolívar, o que não é recomendado.

Incêndio atinge Memorial da América Latina. Foto: Futura PressAté o final da tarde, o incêndio não havia sido controlado. Foto: Futura PressMemorial fica na avenida Auro Soares de Moura Andrade, número 664. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressO incêndio foi registrado pela corporação às 14h56. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressIncêndio começou na plateia B do auditório Símon Bolívar. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressAo todo, 27 viaturas foram deslocadas para combater as chamas. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressDois bombeiros são socorridos após trabalhar no combate do incêndio. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressA CET pediu aos motoristas que evitem circular pela região do memoral. Foto: Futura PressCruzamento da avenida Senador Auro Soares de Moura Andrade com a Alameda Olga está bloqueado. Foto: Futura PressAgentes de trânsito da CET estão no local orientando os usuários. Foto: Futura PressIncêndio não altera o funcionamento da estação Barra Funda, da Linha 3-Vermelha do Metrô. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressMemorial difunde a história dos povos latino-americanos às novas gerações de estudantes. Foto: Futura Press


O diretor-presidente do Memorial, João Batista de Andrade, negou que os hidrantes não estivessem funcionando e que os brigadistas atuaram no sinistro. "Eles viram que não tinham condição de controlar o fogo e chamaram os bombeiros", disse. O coronel Erik Cola, do Corpo de Bombeiros, no entanto, confirmou que os brigadistas trabalharam para conter as chamas no início do incêndio.

Além das dificuldades operacionais e falha de equipamentos, os bombeiros enfrentaram um fenômeno químico que os pegou de surpresa e foi apontado como a principal causa para tantos integrantes da corporação ficarem feridos durante o combate ao fogo no Memorial: o flashover, combustão instantânea em que as chamas são alimentadas pelo oxigênio vindo da parte externa.

"Além de ser um ambiente fechado, com pouca luminosidade, pouco oxigênio e muito material de incêndio, que resultou em gases inflamáveis e em alta temperatura, tivemos a infelicidade de os bombeiros se depararem repentinamente com um flashover", disse o major do Corpo de Bombeiros Mauro Lopes, um dos comandantes da operação.

"Flashover é quando você tem um ambiente pegando fogo e quando você tem pouco oxigênio, com calor e carga para se queimar. A queima é lenta. Quando você faz a abertura desse ambiente e o esfria, os vapores quentes encontram o ambiente frio e ocorre o flashover, que é a injeção de oxigênio. As chamas aumentam muito. Aí ocorre uma ‘queima ideal’. Foi o que aconteceu. Os danos foram extensos", afirmou.

Ao todo, 88 bombeiros atuaram no combate às chamas. Dois deles ficaram feridos com gravidade (tiveram queimaduras nas vias respiratórias). Após um primeiro atendimento feito pelos próprios colegas, ao lado do prédio em chamas, eles foram levados para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas e não correm risco de morte, segundo informações do hospital.

Alvará

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, o documento que trata especificamente da liberação para o funcionamento do auditório (que tem uma capacidade total para 1.800 pessoas) estava expirado desde 1993. O Memorial, por sua vez, informou que já havia entregue documentação para a regularização do ambiente.

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