Sem Expo 2020, São Paulo pode desistir de obra em Pirituba

Por BBC | - Atualizada às

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Projeto previa construção de centro de eventos na região e investimento em transportes, habitação e meio ambiente

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Com a escolha de Dubai para sediar a Exposição Universal de 2020, a realização do projeto apresentado pela cidade de São Paulo, na região de Pirituba, ficará condicionada a uma eventual reapresentação da candidatura da capital paulista para organizar um evento desse tipo.

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"Sem a força da Exposição, o projeto se torna mais difícil de ser financiado porque perde uma das fontes essenciais de financiamento: a bilhetagem da feira", afirmou o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, em uma coletiva em Paris após a divulgação do resultado da votação.

A cidade de São Paulo foi eliminada no primeiro turno da votação do Bureau Internacional de Exposições (BIE). A capital paulista recebeu 13 votos dos 163 países participantes.

Leia também: São Paulo perde disputa por Expo 2020

Como as Exposições Universais atraem 30 milhões de visitantes, boa parte do financiamento do projeto é arcado pelos recursos dos ingressos, afirma o prefeito. "Na falta disso, qual seria o outro mecanismo de financiamento? É essa equação que precisa ser pensada", disse Haddad.

Parque ecológico

A candidatura de São Paulo, segundo o prefeito, foi financiada com recursos do setor privado, já que a legislação brasileira restringe gastos públicos desse tipo.

O projeto apresentado pela capital paulista previa a construção de um centro de eventos em Pirituba, no noroeste da cidade, e investimentos em transportes, habitação e preservação ambiental.

A área destinada à Expo 2020 abrigaria após o evento um parque ecológico e equipamentos públicos de educação, saúde e cultura.

Haddad preferiu não se pronunciar sobre uma eventual reapresentação da candidatura de São Paulo para sediar uma próxima Exposição Universal ou também Internacional, ambas realizadas a cada cinco anos (em uma década, o total é de quatro eventos).

Decisão conjunta

"Não é uma decisão que cabe ao munícipio. Isso tem que ser conversado com Estado, com a União e, sobretudo, com o setor privado, que financiará o projeto em caso de reapresentação da candidatura", declarou Haddad.

"Como isso envolve financiamento privado, tem de ser repactudo", disse o prefeito, que ressaltou ainda que o projeto é tecnicamente "muito bom" e que ele não deveria "ser descartado".

Em todo o caso, se uma nova candidatura for apresentada, será o projeto de São Paulo e não de outra cidade, segundo o prefeito.

"O Brasil não formularia um outro projeto se for reapresentar a candidatura a uma Exposição Internacional, em 2022 ou 2027 ou Universal, em 2025 ou 2030. O Brasil tem esse projeto", disse Haddad.

Ele elogiou a campanha de Dubai, nos Emirados Árabes, e disse que seus representantes atuaram já no primeiro turno e conseguiu obter votos de países que normalmente votariam na candidatura apresentada pelo Brasil, como Haiti, Portugal e Equador. "Se o Brasil contasse com os parceiros tradicionais, teria obtido mais votos", disse o prefeito.

Arena Corinthians

A notícia do acidente no estádio do Corinthías veio à tona durante a votação da Expo 2020, em Paris. O prefeito acompanhou as notícias sobre a tragédia, que deixou dois mortos, e lamentou "que o esforço desses operários ao longo de tanto tempo tenha resultado em vítimas".

"Ficamos muito chateados com isso. Foi muito notável o esforço dos operários e a celebração em torno da obra. Eu fico imaginando a dor que podem estar sentindo nesse momento", declarou Haddad.

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