Família de pedestre atropelada em São Paulo aponta negligência da polícia

Por Agência Estado |

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Motorista, que fugiu a pé, é suspeito de racha; parentes da vítima dizem que flagrante não ocorreu porque era feriado

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A família da pedestre morta atropelada na Ponte do Piqueri na madrugada desta quarta-feira (20) afirma que houve negligência da polícia no caso. De acordo com os parentes, por causa do feriado do Dia da Consciência Negra, a investigação atrasou e a polícia não conseguiu prender em flagrante o motorista no mesmo dia. O empreiteiro Vagner Fraga Ferreira, de 28 anos, fugiu a pé sem prestar socorro à vítima.

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Edison Temoteo/Futura Press
Veículo foi abandonado na região do atropelament, disse a PM; motorista é procurado


O atropelamento foi atendido pela PM por volta da meia-noite, mas a ocorrência só foi encaminhada ao 91º Distrito Policial, da Ceagesp, às 6h. Lá, os familiares de Jéssica Bueno Rodrigues da Silva, de 22 anos, foram avisados de que nada poderia ser feito até esta quinta (21), pois era feriado e o 7.º DP, da Lapa, responsável pelo caso, não poderia abrir uma investigação. "Não tem o que fazer, só na quinta-feira (hoje)", teria dito um policial a eles, segundo a prima da vítima, Rose dos Santos. "Os policiais não queriam dizer nem quem era o dono do automóvel."

A reportagem do jornal O Estado de S.Paulo esteve no 91.º DP na manhã desta quarta. Os policiais não queriam mostrar o boletim de ocorrência, sob a alegação de que havia dados pessoais do condutor. Eles disseram que a delegacia operava em esquema de plantão como central de flagrantes e o caso só seria investigado a partir desta quinta.

O delegado titular do 7.º DP, Marcel Druziani, nega qualquer negligência. O caso teria chegado a suas mãos às 8h, quando ele e cinco policiais começaram as buscas. A reportagem só encontrou um escrevente no 7.º DP ontem. Segundo o delegado, a equipe estava em diligências. "Se não saísse uma folha disso na imprensa, o inquérito sairia da mesma forma."

Suspeito

A polícia identificou o condutor porque o Fiat Stilo estava em seu nome, com a licença dentro do veículo. Agentes fizeram buscas na sua casa, mas não o localizaram. Um irmão dele, que estava no local, disse aos policiais que ele deverá se apresentar em breve com seu advogado. A mãe revelou ao policial que não entendia por que o filho estava transtornado, pegou umas roupas e partiu sem dizer nada. Vizinhos confirmaram que o veículo era mesmo usado por Ferreira.

Natural de Salvador, ele mora com a família na Brasilândia, zona norte. Ele faz colocação de pisos em uma microempresa junto com o pai e o irmão. Ferreira não tem antecedentes criminais. "É uma pessoa de boa índole, segundo apuramos. Não cometeu nenhum crime anteriormente", disse o delegado.

A fuga pode evitar que o suspeito seja preso em flagrante. O delegado entende que ele pode ser detido mesmo várias horas depois do crime, pois há uma busca policial. Mas, 24 horas depois, seria mais difícil justificar a prisão. "Eu ainda não sei se vou pedir a preventiva", disse o delegado. "Vamos ver por que ele fugiu. Ele pode ter dito que fugiu porque tinha 12 pessoas no local, por exemplo."

A polícia ainda deverá apurar se Ferreira agiu de forma proposital quando atropelou a vítima - a suspeita é que estivesse em um racha com outros carros. Por causa do feriado, as empresas da região ainda não foram contatadas para ceder imagens de câmera de segurança. 

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