Um mês após tentativa de estupro em banheiro, USP usa câmeras emprestadas

Por Clarice Sá - iG São Paulo |

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Novo sistema estará em funcionamento até dezembro; instalação de catracas será avaliada por cada unidade e, caso seja aprovada, só deve acontecer em 2014

Um sistema de câmeras emprestado monitora a movimentação na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) um mês após a tentativa de estupro de uma estudante, de acordo com o diretor José Roberto Cardoso. O ataque aconteceu na manhã de 8 de outubro dentro de um banheiro feminino do prédio de engenharia de produção. 

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Reprodução
Cartaz de apoio à vítima de tentativa de estupro nas dependência da USP

No momento do crime, o sistema de câmeras estava com defeito e a diretoria alegou desconhecer o problema. A falta de imagens prejudica a investigação policial. Nenhum suspeito foi interrogado, segundo o delegado responsável pelo caso, Celso Lahoz Garcia, do 93º Distrito Policial, do Jaguaré.

Vinte câmeras foram concedidas temporariamente pela empresa responsável pela instalação de um novo sistema de monitoramento. Por conta da necessidade de pequenas obras, o equipamento deve estar devidamente instalado até o mês de dezembro, segundo a diretoria.

Relembre o caso:

Aluna sofre tentativa de estupro em banheiro de prédio da Poli-USP

Poli diz que não sabia de falha de câmeras durante tentativa de estupro 

Os estudantes ainda vivem um clima de insegurança. ”Existe até hoje um sentimento de insegurança entre os alunos” conta Rafael Auad presidente do Grêmio Politécnico. “Apesar de este sentimento se manifestar de forma menos evidente do que há aproximadamente um mês, é notável o receio do corpo discente em andar pela Poli desacompanhado ou mesmo de ir a lugares específicos dentro dos próprios prédios, como banheiros e alguns laboratórios mais isolados.”

Catracas

A instalação de catracas para controle de entrada é uma das medidas levantadas para reforçar a segurança. Caso seja adotada por algum dos prédios da faculdade, só deve ser implantada em 2014. Após a tentativa de estupro, os departamentos retiraram da gaveta projetos de segurança voltados para cada prédio. Uma comissão de segurança discutirá pontos em comum e os específicos de cada unidade. As medidas debatidas na comissão serão levadas a votação com participação de alunos, professores e funcionários e, a partir daí, implantadas. “Nenhuma decisão sobre a instalação ou não de catracas será tomada sem a consulta da comunidade de cada prédio”, afirma Auad, presidente do Grêmio.

A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP aprovou em plebiscito em junho do ano passado a instalação de catracas nas entradas do prédio. O projeto ganhou força após o assassinato de um estudante de 24 anos no estacionamento da unidade, em maio de 2011.

Na Poli, cada departamento tem uma posição diferente sobre a questão. Os de engenharia civil e mecânica devem colocar a pauta em discussão. Mas para outros departamentos, o custo do sistema complicaria o orçamento anual. 

Assista ao vídeo sobre o caso:


Outras medidas

Entre as medidas tomadas após o crime estão o aumento das grades que cercam o prédio de engenharia de produção - de 1,70 m para 3,40 m. Esta mudança está em execução. Uma sindicância interna foi instaurada para apurar possíveis omissões e tem prazo de 60 dias para apresentar as conclusões. No prédio de engenharia de produção, o banheiro feminino trocará de lugar com o masculino. Como a mudança depende de obras, acontecerá no período de férias. A alteração deixará o banheiro feminino no raio de visão do vigia.

A faculdade disponibilizou para a vítima um segurança exclusivo. A medida é apoiada pelo grêmio como forma de apoio psicológico. A aluna assiste às aulas normalmente e não demonstra problemas de convivência, de acordo com o diretor. No prédio da engenharia de produção, os demais alunos seguem vigiados pela equipe de “três ou quatro” vigilantes, segundo Cardoso. Os seguranças que atuam nos 23 prédios da Poli devem passar por processo de reciclagem e a ronda acontece com mais frequência em locais de maior risco.

Polícia

A vítima fez representação para abertura de inquérito e prestou depoimento no 93º Distrito Policial, do Jaguaré, no dia 17 de outubro. De acordo com a polícia, ela manteve o relato do dia do crime. A aluna contou que entrou no banheiro do prédio de engenharia de produção, onde havia outras mulheres, e percebeu que um dos boxes estava trancado. Quando as outras saíram, a porta do boxe se abriu e ela foi puxada e arrastada pelo agressor. Ele cobriu a boca da vítima com a mão, para evitar gritos de socorro. Ela reagiu com cotoveladas e o agressor, ao perceber que não teria sucesso, fugiu do local.

A polícia fez buscas com base na descrição fornecida pela jovem, mas não identificou nenhum suspeito. 

Casos de estupro

O total de estupros no Brasil cresceu 18,17% em 2012. Em números absolutos, superou o de homicídios intencionais (doloso), de acordo com a 7ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgada na segunda-feira (4). Foram 50.617 os casos de estupro no ano passado, contra 47.136 homicídios dolosos.

Estupros crescem 18% e superam homicídios dolosos no Brasil

O estudo, baseado em informações do IBGE e do Sistema Nacional de Estatísticas em Segurança Pública (Sinesp), crava em 26,1 a taxa de estupros para grupos de 100 mil habitantes.Em São Paulo, foram 12.886 casos em 2012, uma taxa de 39,8 a cada 100 mil habitantes.

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