Cemitério do Araçá tem ossário e estátuas depredadas

Por Agência Estado |

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Local tem mais de mil ossadas de mortos e desaparecidos políticos, encontrados no cemitério de Perus em 1990

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O Ossário Geral do Cemitério do Araçá, na zona oeste de São Paulo, foi depredado na madrugada de domingo (3), menos de 24 horas depois do ato inter-religioso do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça. O espaço abriga as mais de mil ossadas de mortos e desaparecidos políticos, encontrados em 1990 no cemitério de Perus. Também foi danificada a instalação da exposição Penetrável Genet, inaugurada no domingo no local. O caso foi registrado no 91.º Distrito Policial, do Ceasa.

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Durante a madrugada, foram destruídos dois monólitos de aproximadamente 700 kg, e espalhados pelo local três sacos de ossadas - nenhum deles com restos mortais encontrados em Perus. Estátuas de outros túmulos não relacionados ao ossário ou à exposição também foram depredadas, como uma imagem de Santo Antônio. O espaço também foi pichado.

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A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) anunciou que vai acompanhar o caso. "É um fato que reflete a situação extremamente delicada de como tratar essa questão das ossadas e dos desaparecidos", lamentou o secretário Rogério Sottili.

A SMDHC analisa a necessidade de envolver a Polícia Federal no caso. Sottili está em contato com o presidente da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Presidência da República, Marco Antônio Barbosa, para criar um grupo de antropologia forense que identifique essas ossadas.

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O deputado estadual Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão da Estadual da Verdade, esteve no ato ecumênico do sábado, 2, e na inauguração da exposição, ontem. Para ele, a depredação tem vínculo com as ossadas. "Todos sabem que ali estão os ossos de Perus, embora não tenham aberto a gaveta correta. Também deixaram ali uma assinatura, uma pichação. Esse ato tem autoria reivindicada."

Obra

A exposição Penetrável Genet, produzida pelos artistas Celso Sim e Anna Ferrari, teve de ser inaugurada simbolicamente no cemitério. "Isso me parece crime político, é uma barbaridade", afirmou Sim, ao lembrar que os computadores que estavam no local não foram levados. A obra estará aberta para visitação a partir de terça-feira (5).

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