Especialista critica telemarketing no 190 e diz que vantagem será só financeira

Por iG São Paulo |

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Proposta é colocar 700 policiais na rua. Para ex-secretário de segurança, substitur PM por atendentes de telemarketing prejudicará a avaliação das ocorrências

Nivaldo Lima/Futura Press
Para especialista, PMs com perfil administrativo terão dificuldade de voltar para as ruas

A promessa do governo do Estado de São Paulo é tirar 700 policiais da baia e colocá-los na rua para combater o crime. Na prática, a proposta de terceirizar a central de emergência da Polícia Militar (telefone 190) pode afetar a qualidade do atendimento à população, como vem ocorrendo com o Serviço Móvel de Urgência (SAMU).

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o modelo deu certo em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sergipe e Distrito Federal. Por essa razão, ele será testado primeiro em Osasco e São José dos Campos antes de chegar a todo o Estado.

Leia mais: PM espera liberar policiais com terceirização do 190

Em setembro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu o projeto: "Devemos ter cada vez mais o policial na atividade-fim. O policial é um profissional extremamente especializado. Você pode ter civis nesse trabalho liberando os policiais.”

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Hoje, 700 policiais atendem, em média, 40 mil ligações diárias, mas apenas 20% delas geram alguma ocorrência. Quem liga no 190 tem sua chamada encaminhada para uma das 15 centrais. O policial avalia a solicitação e a encaminha para despachadores, que distribuem as ocorrências para os batalhões correspondentes.

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"As desvantagens da mudança superam as vantagens”, afirmou ao iG o ex-secretário de segurança pública de Guarulhos, Guaracy Mingardi, consultor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. "Esses policiais não vão voltar para a rua porque esse não é o perfil deles.”

Para Mingardi, a principal dúvida paira sobre a qualidade da triagem. “Só um policial sabe como lidar com ocorrências desse tipo. Um operador de telemarketing não conhece o perigo das ruas.”

Para o ex-secretário, a mudança trará vantagem financeira para o Estado, já que operadores de telemarketing recebem salários mais baixos. “O problema é que, com o tempo, as pessoas se acostumam com o mau atendimento.”

SAMU

Terceirizado desde 2009, o primeiro atendimento do SAMU recebe críticas de especialistas e de funcionários do próprio serviço, insatisfeitos com a demora na liberação de ambulância em razão de diagnósticos equivocados.

No dia 25 de outubro, por exemplo, a vendedora Márcia Vasconcelos esperou cinco horas para receber atendimento, embora estivesse com hemorragia uterina. “Fiz a primeira ligação para o SAMU ao meio-dia”, recorda-se o mecânico Vicente de Paulo Monteiro (31), marido de Márcia. A vendedora, de 28 anos, só descobriu que estava grávida de três semanas quando soube que perdeu o bebê ao chegar na Santa Casa.

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