Bairro da Liberdade, chácaras, Praça da Liberdade... Veja quais os locais da capital paulista que são famosos por histórias de espíritos entre moradores

Antes de se tornar reduto da colônia japonesa em São Paulo, o bairro da Liberdade era conhecido por outra característica peculiar. Além de muitas chácaras, onde era cultivado basicamente chá, a região recebia os escravos fugitivos presos. E, o que hoje é conhecido como Praça da Liberdade, era antes chamado de Largo da Forca. Isso porque era lá que os negros eram enforcados. Apesar da mudança de nome, o passado macabro ainda alimenta lendas e histórias de assombração de espíritos entre os moradores da região.

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O assunto atrai a atenção de curiosos, principalmente em épocas do ano como quando é celebrado o Dia das Bruxas (Halloween) e o Dia dos Mortos (Finados), datas comemoradas, respectivamente, no dia 31 de outubro e no dia 2 de novembro. Mas o bairro da Liberdade não é o único cartão postal de São Paulo que tem histórias de espíritos .

Conheça alguns dos lugares que colecionam contos de aparições sobrenaturais:


Igreja Santa Cruz das Almas dos Enforcados

Por conta da proximidade com o local onde eram mortos escravos, pessoas contrárias ao regime da época e pequenos delinquentes, a capela que fica em frente à Praça Liberdade ganhou o nome de Igreja Santa Cruz das Almas dos Enforcados. “É o bairro mais mal-assombrado de São Paulo”, opina o guia turístico Carlos Silvério, da Graffit Viagens Turismo, agência que oferece passeios por locais assombrados da cidade.

É que, além de ser um local de enforcamento, havia um cemitério no bairro, justamente para enterrar os mortos na forca, em um espaço que vai da avenida Liberdade à rua da Glória. Por conta disso, a história de espíritos assola também a Capela dos Aflitos, que fica na região.

“Como havia muitas chácaras aqui em volta, acredita-se que aqui tem muitas almas de escravos perambulando e se lamentando por terem sido enforcados. No Velário que tem aqui no subsolo (da Igreja Santa Cruz das Almas dos Enforcados) dizem que há muitos espíritos de escravos atraídos pela luz das velas acesas”, explica Silvério.

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Vale do Anhangabaú

“É o primeiro ponto mal-assombrado da cidade”, resume Silvério. De acordo com o guia turístico, a região do Vale do Anhangabaú é considerada um local de mau agoro desde a época dos índios. “Tanto que, em tupi-guarani, Anhangabaú significa rio dos malefícios do Demônio”, emenda. A explicação é que, antes da pavimentação do local, passava um rio. E, embaixo de onde hoje é o Viaduto do Chá, morriam muitos peixes. Além disso, o vale teria sido o lugar preferido dos negros para fazer manifestações religiosas.

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As lendas sobre o clima ruim do lugar se estendem até depois da construção de uma ponte no Vale do Anhangabaú. “Não era esse viaduto que tem hoje. Antes tinha uma ponte que pagava pedágio para passar e tinha pessoas que se jogavam como forma de suicídio”, afirma.

Edifício Martinelli

Apesar de ter sido o primeiro grande prédio da cidade de São Paulo e, por algum tempo, o maior arranha céu da América do Sul, o edifício Martinelli é lembrado mais por contos de assombração do que por seu feito histórico. As lendas sobre espíritos no prédio começaram a surgir depois da década de 60 e 70, quando o edifício entrou em decadência. O local foi invadido e nele passaram a morar famílias de baixa renda. Por conta disso, se aproveitaram também bandidos e, nos corredores, havia prostituição.

Guia mostra poço onde foram encontrados restos humanos. Veja:

Nesta época os elevadores pararam de funcionar, o lixo deixou de ser recolhido e começou a ser jogado no poço de ventilação. O vão acumulou tanta sujeira que os dejetos alcançaram dezenas de metros de altura. “Virou um grande lixão. Chegou até o 9º andar de entulho”, diz Silvério. Nesta época, o edifício Martinelli foi palco de crimes famosos, como o assassinato do menino Davilson, que teve seu corpo jogado no poço do elevador.

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“Mesmo sendo reestruturado em 1974, essa energia ficou até hoje”, afirma o guia. Além de barulho de criança correndo no terraço, que as pessoas atribuem ao Davilson, alguns funcionários do prédio dizem já ter visto uma loira, muito bem vestida, que costuma circular pelos corredores depois do horário de expediente. “Todo mundo tem medo da loira lá, que não é a loira do banheiro”.

Até hoje os elevadores costumam deixar os seguranças arrepiados porque, às vezes, funcionam sozinhos. De acordo com os funcionários, existe uma função nos equipamentos que permite que o elevador desça e suba direto, sem atender aos chamados feitos nos andares. Mas esta opção só pode ser selecionada por botão, quando há alguém dentro. Além disso, uma ascensorista teria atendido a loira, que sumiu na viagem entre um andar e outro.

Funcionário no edifício há 23 anos, o segurança Francisco Peba Rolim, de 56 anos, conta que já presenciou acontecimentos estranhos. “Uma vez estava apagando a luz do 14º e alguém gritou: ‘tem gente trabalhando’. Acendi a luz e fui procurar a pessoa para pedir desculpas. Olhei mesa por mesa no andar. Entrei no banheiro e nada. Fiquei esperando em frente ao outro banheiro que estava fechado, mas ninguém saiu. Entrei e vi que estava vazio também. Meu cabelo ficou duro de tão arrepiado. Saí correndo sem apagar a luz mesmo”, lembra.

Edifício Joelma

A história de aparição de espíritos no edifício Joelma surgiu, principalmente, após o incêndio, em 1974, que atingiu o prédio e matou 188 pessoas. As chamas começaram por conta de um curto-circuito e muitas vítimas se jogaram do terraço na tentativa de se salvar das chamas. Por isso, desde que foi restaurado, há testemunhos de manifestações fantasmagóricas. “As pessoas dizem ouvir barulho de gaveta e muita lamentação. Não chega a ser choro, mas várias pessoas já testemunharam isso que seria a agonia da morte, né”, opina Carlos Silvério.

A fama de local assombrado ganhou força também porque, antes mesmo antes da construção do Joelma, havia no local uma casa, onde viviam um professor renomado, sua mãe e duas irmãs. Ele teria assassinado as três mulheres, em 1948, e jogado os corpos em um poço no terreno. “Então dizem que o terreno é amaldiçoado”, conclui.

Castelinho da rua Apa

Na esquina da rua São João com o rua Apa, no centro da capital paulista, ficam as ruínas da réplica de um castelo medieval. Conhecido como castelinho da rua Apa, o local foi palco do assassinato de uma tradicional família paulista em 1937. Na época, os advogados Álvaro e Armando Cézar dos Reis e a mãe deles, Maria Cândida Guimarães dos Reis, foram encontrados mortos. A tese da polícia é que houve um duplo homicídio seguido de suicídio. Mas, a maior polêmica é que nunca ninguém conseguiu comprovar qual dos irmãos foi o autor.

Segundo Carlos Silvério, recentemente, apresentadores de um programa norte-americano de ficção científica, chamado Ghost Hunters (Os Caçadores de Fantasmas), visitaram o local e conseguiram captar com um aparelho “a pronúncia de um nome que vinha do além”. “Essa voz chamava por Eduardo”, conta Silvério antes de dizer que isso poderia ser um indício de uma quarta pessoa na cena do crime.

Cemitério da Consolação

Além de abrigar os restos mortais de personalidades de épocas passadas, o Cemitério da Consolação é o palco de uma lenda urbana. Isso porque, durante o enterro de uma das mulheres da família Matarazzo, um coveiro que segurava o caixão teve um enfarto e morreu também. O fato curioso faz com que muitas pessoas acreditem que espíritos rondem o local, em especial o do coveiro, que continua perambulando entre as sepulturas até hoje.

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