Ministro descarta necessidade de Força Nacional em São Paulo

Por Agência Estado |

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Após protesto na Fernão Dias, acordo prevê maior integração entre forças de segurança federais e estaduais.

Agência Estado

O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, afirmou nesta terça-feira (29), que não vê necessidade de empregar a Força Nacional de Segurança Pública para lidar com manifestações em São Paulo. A declaração vem um dia depois de um protesto causar uma onda de destruição na Rodovia Fernão Dias por causa da morte de um jovem pela Polícia Militar (PM) na zona norte da capital paulista. Um pedestre foi baleado, caminhões e ônibus foram incendiados e 90 pessoas foram detidas no Jaçanã, segundo a PM.

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Edison Temoteo/Futura Press
Caminhão-cegonha incendiado por manifestantes nesta terça-feira, na rodovia Fernão Dias

De acordo com o Cardozo, ele e o secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella Vieira, acertaram uma integração maior entre as forças de segurança federais e estaduais, mas o uso do efetivo nacional foi considerado desnecessário. "São Paulo é um Estado forte do País, possui um grande contingente policial e não creio que necessite da Força Nacional de Segurança Publica", afirmou.

Ele disse que conversou também com o secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, para que haja uma maior troca de informações de inteligência entre as polícias. "Vamos, num curto espaço de tempo, iniciar uma análise conjunta desse quadro para ter ações policiais unificadas", disse Cardozo, que não especificou quando ou como isso se dará.

Leia também: Detidos durante manifestação na Fernão Dias são liberados

A respeito da atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no protesto desta segunda-feira (28), o ministro da Justiça disse que os agentes estão preparados para lidar com distúrbios civis, mas reconheceu que o efetivo é baixo para a extensão da malha viária sob jurisdição nacional, como é o caso da Fernão Dias.

"Temos agido nos limites da nossa possibilidade, com apoio da presidente Dilma Rousseff, para provermos os cargos", afirmou, ressalvando que há uma "demora natural" e que as condições de treinamento não são "amplas o suficiente" para um ingresso em massa. Cardozo afirmou que as equipes técnicas dos postos policiais da Fernão Dias seriam orientadas, novamente, nesta terça-feira sobre como atuar diante das manifestações.

Protesto

As manifestação de segunda-feira na Fernão Dias começou após o velório do adolescente Douglas Martins Rodrigues, de 17 anos, morto por um policial militar no domingo (27). O ato teve início por volta das 18 horas, depois do enterro de Douglas. Os dois sentidos da rodovia foram fechados e ao menos cinco ônibus e três caminhões foram incendiados.

Mais: Manifestantes colocam fogo em caminhões e bloqueiam rodovia Fernão Dias

Homens armados obrigaram passageiros e motoristas a descer dos veículos. Durante um saque a uma loja na Avenida Milton da Rocha, na Vila Medeiros, arruaceiros acertaram um pedestre no abdome. Ele foi internado no Hospital São Luis Gonzaga, onde passou por cirurgia.

Noventa pessoas foram detidas, mas apenas 35 encaminhadas à delegacia, o 39º Distrito Policial (Vila Gustavo). Sem indícios suficientes de participação nos crimes, todos foram liberados. Na noite de domingo, a Vila Medeiros já havia sido cenário de protestos de vizinhos que ficaram revoltados com a ação da polícia.

Na manifestação, com cerca de 300 moradores, duas lotações, um ônibus e um carro foram incendiados e lojas foram saqueadas. A PM interveio com bombas de gás e balas de borracha para dispersar a multidão.

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