Com apoio do PSD, Haddad consegue aprovar em 1ª votação aumento do IPTU em SP

Por Natália Peixoto - iG São Paulo | - Atualizada às

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Imposto em São Paulo será reajustado, em média, 13% para 2014. Veja como cada vereador votou na proposta

Depois de duas tentativas, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta quinta-feira (24) em primeira votação o aumento do IPTU na capital. Com o reajuste, o paulistano pagará cerca de 13% a mais no imposto no ano que vem. A atualização da Planta Genérica de Valores (PGV) passou em votação apertada após horas de negociação do governo de Fernando Haddad (PT) e sua base de apoio na Casa. Foram 30 votos favoráveis, 18 contrários e uma abstenção. Eram necessários 28 votos para aprovar.

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Haddad: Prefeitura reduz teto de alta do IPTU e aumenta isenção

Pelo projeto aprovado, quem tiver aumento maior do que 20% no IPTU terá o reajuste diluído em até três anos. A 'trava' foi o alvo principal das negociações. A maioria dos vereadores não questionou o aumento real do imposto, mas lutou para aliviar no bolso do contribuinte, limitando a cobrança do reajusta para os residenciais em até 20% em 2014, 10% em 2015 e mais 10% no ano seguinte, sem aplicar inflação do período. O governo também retirou do reajuste o acumulado da inflação.

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Câmara de São Paulo aprova em primeira votação o aumento no IPTU

Com as travas para o aumento, se um dono de um imóvel residencial que pagou um IPTU de R$ 1.000 em 2013 sofrer um reajuste a partir de 40%, pagará R$ 1.200 em 2014, R$ 1.320 em 2015 e R$ 1.452 em 2016. Na prática, o aumento total chegaria a 45,2%.

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Para os imóveis comerciais, as travas serão de 35% para 2014 e 15% para 2015 e 2016. Se um comerciante que pagou R$ 1.000 de imposto em 2013 sofrer um reajuste maior do que 65%, pagará R$ 1.350 em 2014, R$ 1.552,5 em 2015 e R$ 1.785, acumulando um reajuste de 78,9%.

O texto também ampliou o desconto a aposentados para beneficiar também os que ganham até cinco salários mínimos. A isenção total será para quem recebe até três salários, desconto de 50% para a faixa entre três e quatro salários e 30% para quem ganha de quatro a cinco salários.

Para aprovar o projeto, o secretário de relações governamentais de Haddad, João Antônio, se reuniu com a bancada do PSD no início da tarde, e em seguida com a liderança do governo, e membros do PCdoB e do PMDB para convencer os vereadores ainda indecisos. Antônio defendeu o texto trabalhado com a base governista nos "moldes da proposta da secretaria de finanças".

O vereador de oposição Gilberto Natalini (PV), acusou o governo de negociar "pesado" para garantir a aprovação hoje, depois da derrota de ontem. "O PT ameaçou fechar igrejas evangélicas e ameaçou suplentes de perda do cargo", disse. Paulo Fiorillo (PT) negou todas as acusações. "Se tem algum problema, não é dessa ordem", rebateu.

No ínicio do mês, após o vereador Eduardo Tuma (PSDB) pedir vista no projeto do IPTU na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), um fiscal da prefeitura lacrou uma unidade da igreja Bola de Neve, da qual Tuma faz parte. Os vereadores da base aliada negaram qualquer relação com o caso.

Nos bastidores, comenta-se que foi preciso uma intervenção do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) para acalmar sua bancada e convencê-los a votar a favor. Na última terça, a líder do bloco, a vereadora Edir Sales, disse que estava insatisfeita com o governo, e que não faria acordo para aprovar o projeto. Da mesma sigla, votaram contra David Soares, Police Neto, e Marco Aurélio, que foi convidado a assumir a Secretaria do Turismo, cargo cobiçado por outros aliados.

Veja como cada vereador votou na proposta:

Contra:

Abou Anni (PV)

Adilson Amadeu (PTB)

Andrea Matarazzo (PSDB)

Aurélio Miguel (PR)

Claudinho de Souza (PSDB)

Coronel Telhada (PSDB)

Dalton Silvano (PV)

David Soares (PSD)

Eduardo Tuma (PSDB)

Floriano Pesaro (PSDB)

José Police Neto (PSD)

Marco Aurélio Cunha (PSD)

Mário Covas Neto (PSDB)

Natalini (PV)

Patrícia Bezerra (PSDB)

Roberto Tripoli (PV)

Sandra Tadeu (DEM)

Toninho Paiva (PR)

A favor:

Alessandro Guedes (PT)

Alfredinho (PT)

Ari Friedenbach (PROS)

Arselino Tatto (PT)

Atílio Francisco (PRB)

Calvo (PMDB)

Conte Lopes (PTB)

Coronel Camilo (PSD)

Goulart (PSD)

Jair Tatto (PT)

Jean Madeira (PRB)

José Américo (PT)

Juliana Cardoso (PT)

Laércio Benko (PHS)

Marquito (PTB)

Marta Costa (PSD)

Milton Leite (DEM)

Nabil Bonduki (PT)

Nelo Rodolfo (PMDB)

Noemi Nonato (PROS)

Orlando Silva (PT)

Ota (PROS)

Paulo Fiorilo (PT)

Paulo Frange (PTB)

Reis (PT)Ricardo Nunes (PMDB)

Senival Moura (PT)

Souza Santos (PSD)

Vavá (PT)

Se absteve:

Toninho Vespoli (PSOL)

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