Invasão do Royal é "momento histórico para proteção animal", diz Luisa Mell

Por Clarice Sá - iG São Paulo | - Atualizada às

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Apresentadora conta como foi a madrugada em que mais de 150 cães foram retirados de instituto no interior de SP

O que era para ser uma reunião com representantes do Instituto Royal sobre as suspeitas de maus-tratos a animais no prédio do laboratório na cidade de São Roque, interior de São Paulo, se transformou em um movimento de retirada de cerca de 150 cães do local sob o olhar de policiais militares ao longo da madrugada desta sexta-feira (19). É o que relata a apresentadora Luisa Mell, ativista em prol da proteção dos animais. 

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Reprodução/rede social
A apresentadora Luisa Mell após a operação de resgate dos animais em São Roque

“Não estou conseguindo me mexer. Fiquei dez horas de pé, indo para cá e para lá carregando cachorro. Foi um grande passo na proteção animal do País. Do mundo também. Mas foi a primeira vez que aconteceu no Brasil. Está todo mundo muito emocionado e a população inteira nos apoiando. É um momento histórico. Um avanço histórico”, conta Luisa, eufórica, após uma noite movimentada em claro. 

Invasão

Ativistas se concentravam em frente ao prédio do laboratório desde sábado (12). Luisa foi a São Roque apoiá-los na terça (15), teve uma audiência com o prefeito, alguns vereadores, e apresentou uma lista de irregularidades contra o instituto. O Royal é investigado pelo Ministério Público pelo uso de cães em testes para a indústria farmacêutica.

Luisa conta que conseguiu marcar uma reunião com representantes do laboratório para as 17h de quinta-feira (17). Mas quando seguia para a cidade, foi alertada de que supostamente a empresa retiraria os animais do local durante o encontro - marcado para um local distante da instituto. Ainda no trânsito, Luisa postou uma mensagem no Facebook pedindo ajuda. “Aí um milagre começou a acontecer. Centenas de pessoas começaram a ir para lá." Policiais militares também se deslocaram para acompanhar a movimentação.

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O grupo reunido na frente do laboratório passou a revistar os carros que saíam do local, na tentativa de evitar uma possível remoção de animais. Quando a situação se acalmou, os policiais se dispersaram. ”Aí passamos a ouvir gritos de dor. Gritos e choro. E tivemos a informação que já tinham matado 12 cachorros. Peguei o celular emprestado de alguém e postei no face. As pessoas começaram a ir para lá.” Ela conta que alguns políticos foram ao local, que foi à delegacia registrar um boletim de ocorrência e chegou a bater na porta de um juiz da região para tentar resgatar os bichos.

"Começou a chegar muita gente, foi uma comoção muito grande. Ficamos ouvindo aqueles gritos, lá na porta, sem poder fazer nada”. Sem enxergar outra saída, o grupo entrou. Luisa diz que, a príncípio, os manifestantes apenas olhavam os cães, até que um deles, mascarado, destrancou um dos canis e todos passaram a retirar os animais das celas. Ela conta que a polícia tentou prender alguns dos manifestantes, mas conseguiu fugir.

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Cerca de 150 cães da raça beagle foram retirados do local, na ação classificada como “ato de terrorismo” pelo Instituto Royal. O laboratório alega que suas atividades são acompanhadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em nota, a Polícia Militar diz que não reagiu à invasão porque "optou por evitar colocar em risco a integridade física das pessoas, entre as quais muitas mulheres, e dos animais, num confronto direto, que tornaria o resultado do evento ainda mais grave". A PM afirma que tentou negociar para que os manifestantes fossem recebidos por representantes do instituto no dia seguinte. 

Apatia

Fora do instituto, a condição dos animais assustou a ativista. “Lido com isso diariamente, mas nunca vi cachorros iguais a estes. Parecia que estavam mortos. Não se mexiam, pareciam bonecos. No caminho, comecei a cantar, a fazer carinho e eles foram se transformando, a fisionomia mudando. Uma delas encostou no meu peito e olhou nos meus olhos. Fiquei muito emocionada.”

Luisa vê o que aconteceu em São Roque como uma etapa da briga que tem como meta a proibição dos testes em animais no Brasil. “Foi um grande passo, mas a guerra não está ganha. Mas a gente está com a população e a população vai vencer”.

Assista ao vídeo da retirada dos cães:



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