Câmeras aumentam riscos para vítimas de assalto, diz especialista em segurança

Por Carolina Garcia - iG São Paulo |

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Equipamento acoplado em capacete deve virar inimigo dos criminosos. "Cresce chance de latrocínio", diz Lordello

As câmeras portáteis que filmam em alta definição caíram no gosto de motoqueiros e ciclistas em São Paulo. Apesar de desembolsarem entre R$ 580 e R$ 1.600 no equipamento, muitos usuários não esperam flagrar o próprio momento de aflição em um assalto. No último domingo (14), roubo na zona leste da capital deu notoriedade aos equipamentos, que, se vistos como uma ameaça pelos criminosos podem potencializar os riscos contra a vítima.

Divulgação
Equipamento pode ser preso ao corpo, capacete e guidão de motos e bicicletas

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Entenda: Câmera de vítima filma roubo de moto e PM baleando criminoso 

"Comentários que pedem morte de assaltante são passíveis de punição"

“A câmera acoplada pode trazer sérios riscos. Se o criminoso entender que aquilo é uma prova contra ele, aumentam as chances de um latrocínio [roubo seguido de morte]”, diz Jorge Lordello, especialista em segurança pública e privada. Para ele, o atual bandido é amador e está com “o dedo mais mole” pronto para executar quem torna o seu trabalho mais difícil.

Nos momentos iniciais do crime da zona leste – que foi confirmado pela PM – o suspeito logo perguntou se a vítima era PM. Para Lordello, nos próximos meses, a pergunta “Você é policial?” será acompanhada por “Você está me filmando?”. A popularização das câmeras, segundo o especialista, apenas prolonga o tempo de exposição da vítima e estimula um comportamento que vai na contramão do que é indicado em uma situação de risco.

Assista ao vídeo da tentativa de assalto em SP:

“[No caso da filmagem de SP] a vítima teve a reação de filmar porque estava condicionado pelo equipamento, virou seu brinquedinho. Agora está arrependido. O seu rosto estampa um vídeo ao lado de um foragido [comparsa]”, explicou. Lordello acredita ainda que a vítima teve “sorte” com a intervenção do policial, que acabou baleando um dos assaltantes.

Mais: Criminoso baleado após tentativa de roubo de moto continua internado

Outro risco em potencial é o alvo não perceber a presença de um segundo criminoso. “Nunca pense que um jovem assalta sozinho”, indicou. Em crimes diversos, cabe ao comparsa proteger o parceiro e até executar uma vítima mais ousada, que filma o crime, por exemplo. O segredo estaria em minimizar o tempo da ação criminosa.

Renan Truffi/iG São Paulo
PM decidiu por conta própria colocar câmera no peito para registrar manifestações (arquivo)

Ação foi "legítima"

O criminoso baleado no assalto continua internado no Hospital do Tatuapé após passar por cirurgia e seu quadro de saúde é estável, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde. Leonardo Escarante Santos, de 18 anos, levou um tiro na região do abdômen e outro na perna. A ação foi gravada por uma câmera acoplada no capacete da vítima. As imagens se tornaram viral na rede social Facebook com o título "Foi roubar Hornet e levou bala".

Para a Polícia Militar, que emitiu uma nota comentando o caso, o policial cumpriu o seu dever ao sair de seu carro para ajudar a vítima. "Ao intervir na ocorrência, percebeu o criminoso apontando a arma em sua direção e efetuou dois disparos com sua pistola ponto 40". Ainda de acordo com o texto, a atuação do PM "foi legítima e correta, com a observância das técnicas policiais".

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