Foragido desde 2008, pagodeiro comparece ao segundo dia de júri em São Paulo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Evandro Gomes Correia Filho é acusado de matar a ex-mulher e de tentar matar o filho dos dois, em 2008

Foragido há cinco anos, o pagodeiro Evandro Gomes Correia Filho compareceu nesta quinta-feira (12) ao julgamento em que é reu, no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele é acusado de matar a ex-mulher, a operadora de caixa Andréia Cristina Nóbrega Bezerra, e de tentar matar o filho dos dois, Lucas, em 2008.

Ontem: Adiado em maio, júri de pagodeiro recomeça sem a presença do réu

Marcos Bezerra/Futura Press
O pagodeiro Evandro Gomes chega ao Fórum Criminal de Guarulhos, nesta quinta-feira, para o segundo dia de julgamento


O músico já havia vindo a público no dia 29 de setembro de 2010 disfarçado com barba e cabelo postiços, para reafirmar à imprensa sua versão de que não matou Andréia. Embora já estivesse com a prisão preventiva decretada, ele não foi detido em razão da lei eleitoral, já que era véspera de eleições. Depois da aparição, sumiu novamente e, do ponto de vista legal, nunca havia se apresentado após o crime até esta quinta.

Esse é o segundo dia de julgamento com corpo de jurados formado por cinco homens e duas mulheres. Ontem (11) foram ouvidas 11 testemunhas, sendo sete de acusação - entre elas, o filho do casal - e quatro testemunhas de defesa. Hoje, mais testemunhas de defesa devem ser ouvidas no júri, que deve terminar nesta sexta-feira.

O julgamento estava marcado para maio deste ano, mais após a defesa apresentar novas provas, ele foi adiado. O promotor do caso, Rodrigo Merli Antunes, pediu que o juiz rejeitasse as provas. Por precaução, o material foi levado à perícia.

Adiamento: Novas provas da defesa de pagodeiro adiam júri para setembro em Guarulhos

Segundo o relatório do Instituto de Criminalística (IC) entregue na semana passada, o celular do réu já era fabricado em 2007 - não foi especificado a data de aquisição do objeto. Foram transcritas mensagens que a vítima teria mandado a ele, nas quais ela pedia dinheiro. A defesa quer mostrar que Andréia tinha problemas psicológicos e morreu porque se suicidou. Supostos bilhetes de despedida datados de antes da morte foram apresentados à Justiça.

Na versão do réu, Andréia não aceitava o rompimento do relacionamento e queria que os dois criassem juntos o filho. Ela o procuraria insistentemente e, na data do crime, tomou uma atitude "possessiva e ciumenta" e se desesperou quando descobriu que o ex tinha outro filho.

Andréia morreu após cair da janela do terceiro andar do prédio onde morava, em Guarulhos, enquanto o menino foi internado com uma fratura do maxilar, após cair sobre a marquise da edificação. A polícia diz que ela se jogou porque o pagodeiro a ameaçou com uma faca. O filho, hoje com 9 anos, está entre as testemunhas de acusação, que quer mostrar que o réu é violento. "Vamos tentar demonstrar por testemunhas que ele (Evandro) infernizava a Andréia", diz o promotor. "Mesmo com outros relacionamentos e outro filho, ela era a primeira mulher dele. É o primeiro amor que ele não poderia perder".

Para a defesa, a vítima estava, na verdade, desequilibrada. Ex-namoradas que teriam sido perseguidas pela mulher darão o seu depoimento, segundo o advogado. Um parecer do psiquiatra forense será mostrado ao júri para confirmar a linha de defesa de que Andréia estava fora de si.

Para o novo júri, foram também reunidos pela defesa vídeos para serem mostrados aos jurados que não estavam previstos na primeira tentativa de audiência. A maioria são reportagens de TV, nas quais o próprio advogado do réu é o entrevistado. Há também o filme 'Amar foi a minha ruína', de 1955. A protagonista é uma mulher que engana o marido e comete vários crimes por um ciúme descontrolado.

* Com AE

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