Grupo mascarado atacou pedras e esferas de chumbo contra policiais, que usaram bombas de gás para evitar invasão da Câmara Municipal; três foram atropelados

São Paulo viveu hoje sua manifestação mais violenta desde os protestos de junho. Houve confronto com a Polícia Militar, que respondeu aos ataques com mais violência, arremessando bombas de gás lacrimogêneo e até pedras contra os manifestantes. Um jovem de 19 anos foi ferido no olho atingido por uma bomba. Três pessoas foram atropeladas. Uma delas caiu após subir numa viatura da PM. Cerca de dez pessoas foram detidas.

O principal alvo do protesto foi o governador Geraldo Alckmin (PSDB), por causa da suspeita de cartel em obras da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Metrô. 

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Os manifestantes mascarados e a polícia militar entraram em confronto em frente à Câmara Municipal de São Paulo. A região virou praça de guerra com o grupo jogando pedras e esferas de chumbo contra os PMs, que atiravam bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Houve tentativa de invadir o prédio da Câmara. A Tropa de Choque chegou ao local, mas o protesto dispersou.


Em uma rua ao lado da Catedral Metropolitana, dois jovens foram atropelados. O primeiro foi vítima de um Corsa que disparou em alta velocidade em meio à confusão. Ele quebrou o pé. O outro foi arremessado de uma viatura da PM depois de ficar em cima do capô. Ambos ficaram deitados no asfalto por mais de meia hora à espera de socorro - nenhuma viatura policial prestou ajuda. Segundo a PM, a viatura atingiu um dos manifestantes porque ele tentava impedir a passagem do carro.

Mais cedo, um grupo de cerca de 300 pessoas, segundo a Polícia Militar, havia fechado a avenida Paulista. Os manifestantes, na maioria com roupas pretas e os rostos cobertos, pichavam os prédios e depredavam agências bancárias, bancas de revista e os cones de sinalização da ciclofaixa.

À tarde, os manifestantes na avenida Paulista estavam divididos em três grupos. Os mascarados dos “black blocs”, os que pedem “Fora Alckmin” ligado a partidos e ao movimento estudantil e outro grupo grande que defende o combate à corrupção e a volta do regime militar. Os dois primeiros seguiram em marcha pela avenida Paulista em direção ao Paraíso e pararam a avenida 23 de Maio. O terceiro grupo ficou concentrado no vão-livre do Masp. Ainda não há número oficial, mas estima-se que cerca de 5 mil se concentraram na região

Por volta do meio-dia, os black blocs estavam com carro de som defendendo o quebra-quebra e chegaram a botar fogo na bandeira do Brasil. “Esses bancos exploram a gente todos os dias. O que é uma vidraça quebrada diante do prejuízo dos bancos?”, questionava uma mulher que não quis se identificar. Ao colocarem fogo na bandeira, diziam: “Essa bandeira mata índio”.

Do lado dos que defendiam o combate à corrupção, Antonio da Silva Ortega, de 71 anos e professor de História da rede municipal, que estava no Masp, levava uma faixa pedindo intervenção militar já. “É uma forma de garantir a democracia. Quem são os ditadores? São os comunistas que estão no poder”, afirmou.

Empresário protestava contra a corrupção: 'Keep calm o c*'
Ricardo Galhardo/iG
Empresário protestava contra a corrupção: 'Keep calm o c*'

Do mesmo grupo, Beth Monteiro, corretora de imóveis que não quis falar idade, protestava contra o programa Mais Médicos: “Ninguém garante que eles são médicos de verdade. Ninguém sabe onde se formaram e tem que respeitar as leis no País”.

O micro-empresário Alberto de Souza Júnior foi para a Paulista usando uma camisa polo com adesivos “Keep calm o c*, chega de corrupção”. Ele disse que protesta contra os mensaleiros, o deputado preso Donadon e o pedido de aposentadoria do deputado José Genoino. Sobre o caso da Siemens, afirmou que pode ser importante, mas disse que “antes é preciso botar os mensaleiros na cadeia”.

Com informações da Agência Brasil e Agência Estado

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