"Há falhas gritantes", disse Alfredo Carrasco sobre trabalho de fiscalização em São Mateus; tragédia deixou 10 mortos

Em depoimento na Comissão de Política Urbana da Câmara de São Paulo, nesta quarta-feira (4), o engenheiro Alfredo Consiglio Carrasco, coordenador de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Subprefeitura de São Mateus, na zona leste da capital paulista, culpou a falta de estrutura do órgão pela não fiscalização da obra que desabou, matando dez pessoas, na semana passada.

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Funcionário público municipal desde 1991 e lotado há cinco anos em São Mateus, Carrasco também disse que estava no cargo "a contragosto" e que faltam fiscais no órgão, onde estão lotados sete agentes vistores. "Dois precisam fazer (a fiscalização das) feiras", pontuou. "Há falhas gritantes (no trabalho de fiscalização)", emendou. Ele disse ainda que nunca passou pela obra que desabou e que estava embargada pela Prefeitura.

Carrasco assumiu a função de chefe da fiscalização em fevereiro. Antes, era supervisor de licenciamentos na mesma subprefeitura. "Esse cargo de coordenador (da fiscalização) ficou vago por cinco meses. Não havia ninguém para coordenador o trabalho de fiscalização."

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Em contato com a redação do iG , o advogado do servidor, informou que "no exercício do supracitado cargo desde o dia 18 de julho deste ano (2.013), meu constituinte não tem como funções a análise e o deferimento ou não de projetos de obras ou o exercício da fiscalização de construções".

Segundo o advogado Alvaro Consiglio Carrasco Junior, "não competia a Alfredo Consiglio Carrasco agir no projeto ou nas obras do imóvel que desabonou no dia 27 de agosto na avenida Mateo Bei, direta ou indiretamente, tampouco realizar diligências de constatação, praticar autuações, promover embargos ou solicitar força ou apuração policial".

O subprefeito de São Mateus, Fernando Elias, também foi à Câmara nesta quarta-feira. Elias afirmou que não era função administrativa dele fazer a fiscalização da obra irregular. Os depoimentos provocaram indignação nos parlamentares.

"É inadmissível que vocês culpem a falta de estrutura. Tem de acabar com a ‘cultura do sofá’ nas subprefeituras. O subprefeito precisa rodar, conhecer o bairro e as principais obras que estão em andamento na sua região", criticou o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), ex-secretário de Coordenação das Subprefeituras e presidente da Comissão de Política Urbana.

"Pelos relatos trazidos à comissão, há falhas graves de estrutura na Prefeitura", afirmou o vereador Nabil Bonduki (PT). De acordo com o vereador Police Neto (PSD), os depoimentos reforçam a necessidade de abertura de uma subcomissão para investigar o acidente em São Mateus.

"Não tem muito nexo esse juntado de coisas que foram argumentadas. O que percebemos é que todo mundo estava vendo (a obra embargada), todos conseguiam enxergar, mas muitos não queriam." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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