Hospital em SP acumula reprovações de Bombeiros, Vigilância Sanitária e Coren

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Hospital Municipal Alexandre Zaio, na zona leste, trabalha com sala de medicação improvisada e usa leitos de emergência para internação de pacientes

Wanderley Preite Sobrinho/iG
Paciente aguarda atendimento no corredor do hospital Alexandre Zaio

Paciente esperando no corredor, falta de médicos e longas esperas. As más condições dos hospitais públicos no Brasil foram motivo de crítica até dos médicos cubanos que desembarcaram no Brasil na semana passada. No Hospital Municipal Alexandre Zaio, na zona leste de São Paulo, irregularidades como essas não param de se acumular.

A unidade de saúde, na vila Nhocuné, ameaça parar para que uma reforma em vias de aprovação pela Prefeitura de São Paulo coloque fim a uma série de irregularidades que recentemente se tornaram alvo de investigação no Ministério Público de São Paulo.

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Pelo menos 15 mil pessoas são atendidas todos os meses na unidade, 3,5 mil apenas no Pronto Socorro. Em meados deste ano, a prefeitura respondeu à fiscalização da Vigilância Sanitária, que em novembro do ano passado listou 14 irregularidades, que iam de sujeira na sala de sutura à superlotação nas observações masculina e feminina.

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Dessas irregularidades, nove foram solucionadas, enquanto o restante só deve ser resolvido na reforma ainda sem data para começar. Segundo o próprio município, a sala de medicação continua improvisada no corredor e os leitos de emergência permanecem sendo utilizados para internação. “A demanda supera a capacidade da unidade”, justifica a prefeitura.

Em vistoria realizada em abril deste ano, o Corpo de Bombeiros também encontrou problemas, como falta de sinalização de emergência, central de alarme de incêndio incompatível com a legislação de segurança, projeto técnico obsoleto e até ausência do Auto de Vistoria (AVCB).

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“O AVCB é a certificação dos bombeiros de que o prédio está em ordem com as medidas de segurança contra incêndio”, explica o tenente Mauro Antônio Brancalhão. “Ele é obrigatório para qualquer edificação, exceto casas com uma só família. A penalidade, no entanto, cabe à prefeitura, responsável pela fiscalização.”

Falta médico

Ao iG, um médico com mais de 20 anos de trabalho no Alexandre Zaio denuncia a defasagem de 25% no quadro de médicos e de 30% na quantidade de enfermeiros. De acordo com ele, a principal deficiência ocorre no setor de ortopedia. Com apenas dois especialistas, os pacientes acabam atendidos por clínico-geral e cirurgiões.

Quanto ao setor de enfermagem, as irregularidades foram apontadas pelo Conselho Regional (Coren). Além de reforçar a falta de profissionais, o órgão apontou irregularidade no Processo de Enfermagem, a lista de procedimentos que enfermeiros e auxiliares precisam seguir para atender corretamente.

Wanderley Preite Sobrinho/iG
Fachada do hospital Doutor Alexandre Zaio: sem rampa adequada nem piso tátil, o calçamento está em mau estado para receber deficientes físicos

O Coren cita o caso de uma mulher de 73 anos internada na pediatria. “O Processo não contemplava as etapas de diagnóstico e prescrição de enfermagem.”

Já a Comissão Permanente de Acessibilidade reprovou a acessibilidade do hospital para deficientes: foram identificadas 146 inadequações. Ao contrário do que prevê a legislação, as rampas de acesso ao prédio estão fora do padrão e faltam piso tátil e banheiro exclusivo para deficientes. Também não há bebedouro e telefone adaptados, enquanto os assentos fixos impedem o posicionamento de cadeira de roda na sala de espera. As calçadas ao redor do hospital também estão em mau estado.

Outro lado

Questionada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde diz que “as adequações físicas e acessibilidades necessárias serão contempladas na proposta de reforma e ampliação, que se encontra em fase final de avaliação pelo Departamento de Edificações (EDIF) e inclui o sistema de proteção e combate a incêndio.”

Para resolver o déficit de enfermeiros, “a Autarquia Hospitalar Municipal realizou este ano, em regime de emergência, a contratação de profissionais para esta área. A secretaria informa que abrirá neste semestre concurso para a contratação de médicos e outras carreiras da Saúde. Esta seleção terá validade de um ano, com salário inicial previsto de R$ 4.203,13 para jornada de 20h, já incluídas as gratificações. Além disso, desde julho deste ano foi iniciado o processo de contratação de clínicos e pediatras através de parceria com Organizações Sociais.”

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