Além dos dez mortos, 26 operários foram retirados dos escombros com ferimentos pelas equipes de resgate

O Corpo de Bombeiros localizou e retirou dos escombros, na tarde desta quinta-feira (29), o corpo da décima vítima do desabamento de uma obra em construção em São Mateus, na zona leste de São Paulo. O corpo encontrado é de Antônio Welington Teixeira Silva, último operário da obra que ainda estava desaparecido desde o desabamento, na terça-feira. Após o resgate, as buscas foram encerradas pelos bombeiros e a área foi liberada para a perícia.

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Além dos 10 mortos, 26 pessoas foram resgatadas com vida e encaminhadas aos hospitais da região. Cinco ainda estariam internadas. Não há detalhes sobre o estado de saúde delas. Segundo os bombeiros, todas as vítimas trabalham no prédio em construção na avenida Mateo Bei, quando ele cedeu na última terça-feira (27).

Nesta quinta-feira, sete testemunhas do desabamento foram ouvidas no 49° Distrito Policial pelo delegado Luiz Carlos Uzelin, responsável pelo inquérito policial. Uma das testemunhas, que será ouvida na próxima segunda-feira (2), Francisco Pinheiro, era vizinho da obra e presenciou o acidente. "Eu estava lavando minha calçada e, de repente, desabou tudo. Saí correndo, olhei para trás e estava a poeira no chão."

Francisco vivia há sete anos no imóvel com a esposa, dois filhos e um neto. A casa ficou completamente destruída. Além da residência, no terreno havia um bar e uma adega, pelos quais Francisco pagava aluguel de mais de R$ 2 mil por mês. Operários da obra que frequentavam o comércio, conta ele, costumavam comentar sobre problemas na construção. "Ouvia os funcionários dizendo que tinha que calçar a obra", disse.

O Ministério Público abriu investigação para apurar as causas do desabamento. A investigação será conduzida pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo. A prefeitura informou que a obra estava em situação irregular por falta de alvará de execução e foi embargada. A obra recebeu duas multas, ambas em março deste ano: uma de R$ 1.159,00 por falta de documentação no local da obra e outra de R$ 103,5 mil por não cumprimento de intimação.

A Polícia Civil de São Paulo também abriu investigação para apurar as causas e as responsabilidades pelo desabamento e começou a ouvir os funcionários da obra que sobreviveram. Segundo a Defesa Civil, quatro casas e dois estabelecimentos comerciais foram interditados no local.

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