Bombeiros mantêm buscas em destroços de desabamento em São Paulo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Prédio em construção cedeu na manhã de terça-feira (27) em São Mateus. Dois operários seguem desaparecidos

O desabamento de um prédio em construção , na zona leste de São Paulo, completou 24 horas nesta manhã e os trabalhos de resgate seguem sem previsão para acabar. Após a confirmação da oitava morte , realizada no final da noite de ontem (27), o Corpo de Bombeiros segue buscando ao menos dois desaparecidos. O corpo do último trabalhador morto foi retirado  na madrugada. 

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Cães farejadores do Corpo de Bombeiros indicaram dois pontos onde podem estar as duas vítimas  O local fica ao fundo do terreno, do lado esquerdo para quem olha da fachada, e está sendo o alvo de buscas

Os bombeiros usam equipamentos manuais, como uma britadeira, para romper duas lajes de concreto de cerca de 20 centímetros e acessar a parte inferior dos entulhos.

Acredita-se que as duas pessoas sejam as duas últimas debaixo dos escombros, com base em uma lista passada pela empresa Salvatta Engenharia. Um funcionário que sobreviveu ao acidente também voltou ao local para indicar a provável posição dos colegas. Ele estaria trabalhando ao lado de uma das vítimas soterradas quando a estrutura da construção de dois pavimentos entrou em colapso. Além dos cães farejadores, foi usado um detector de ruído nas buscas - o aparelho não vem sendo empregado durante o dia, porque o barulho do entorno limita sua fidelidade.

Os trabalhos de resgate seguiram por toda a madrugada em esquema de revezamento. Com imensos refletores, o local do desmoronamento foi iluminado para a continuidade dos trabalhos. Ao menos 26 trabalhadores foram resgatados na terça-feira (27). Nesta manhã, 17 viaturas do Corpo de Bombeiros e 50 homens estão no local com a remoção dos escombros e procurando sobreviventes.

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O acidente ocorreu por volta das 8h30 da terça-feira (27) em uma estrutura localizada na avenida Mateo Bei, nº 2.300. O edifício tinha dois pavimentos e estava em construção há três meses. Todas as vítimas seriam operários que trabalhavam no canteiro de obras no momento de acidente.

"Ouvi um estouro e estava o prédio todo no chão", diz vizinho. Assista:

Todos que foram resgatados com vida são encaminhados aos hospitais Santa Marcelina, São Miguel, Sapopemba e Tatuapé com ferimentos leves a moderados. Uma das vítimas manteve contato com os bombeiros via celular e foi socorrida . O jovem de 24 anos chegou a indicar o local onde estava soterrado. 

Entre os mortos, a maioria é do Maranhão. Veja a lista divulgada pela Secretaria de Segurança Pública:

- Marcelo de Sousa Rodrigues, 22 anos, natural de Barra do Corda – Maranhão
- Ocirlan Costa da Silva, 19 anos, natural de Mirador – Maranhão
- Antônio Carlos Carneiro Muniz, 36 anos, natural de Grajaú – Maranhão
- Raimundo Barboza de Souza, 38 anos, natural de Imperatriz – Maranhão
- Leidiano Teixeira Barbosa, 27 anos, natural de Barra do Corda – Maranhão
- Felipe Pereira dos Santos, 20 anos, natural de Imperatriz – Maranhão
- Raimundo Oliveira da Silva, 29 anos, natural de Itaguatins – Tocantins
- José Ribamar Soares do Nascimento, 20 anos (sem a naturalidade)

Obra irregular

A Prefeitura de São Paulo informou que a obra realizada no terreno de São Mateus estava irregular. Segundo o órgão, a empresa responsável pela obra foi multada duas vezes por irregularidades e deveria apresentar um novo pedido de álvará para iniciar a construção. Por nota, a prefeitura informou que o responsável pela construção não apresentou um pedido de Alvará de Execução. Portanto a obra estava em situação irregular.

O dono do imóvel, Mustafá Ali Mustafá, e o Magazine Torra Torra, contratante da empresa Salvatta, trocam acusações sobre a responsabilidade pelo acidente. O caso é investigado pela Polícia Civil. O advogado Edilson Carlos dos Santos, que representa Mustafá, culpou a empresa de engenharia Salvatta pelo acidente. "Eles fizeram alterações no prédio sem conhecimento do dono, eram reformas para a construção de elevadores e escadas", afirma Santos.

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De acordo com o advogado, a obra foi feita em locais perto de vigas, o que poderia ter causado o acidente. Santos afirma que Mustafá tinha contrato com a Torra Torra desde o início do ano e que em agosto o imóvel foi assumido pela rede de lojas. Em nota, a Torra Torra afirmou "que o imóvel que desabou não era de propriedade da rede" nem foi construído pela empresa. 

As chaves do imóvel não haviam sido entregues por Mustafá, segundo a empresa. Ainda segundo o comunicado, o proprietário do terreno não havia terminado as obras que tinha se comprometido a fazer. "Há 16 dias, a Salvatta Engenharia prestava serviço para o Magazine Torra Torra no prédio com a finalidade de avaliar as condições de uso do imóvel, bem como iniciar os serviços de acabamento. Não foi realizada qualquer intervenção por parte da Salvatta na estrutura do imóvel", diz a nota.

A Torra Torra e a Salvatta afirmam que "consideram-se também vítimas da irresponsabilidade dos proprietários e estão à disposição das autoridades para colaborar na apuração"

Veja o local do desabamento na zona leste de São Paulo:

*com Agência Estado

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