Obra havia ameaçado cair nas últimas semanas, diz operário ferido em São Paulo

Por Wanderley Preite Sobrinho , iG São Paulo | - Atualizada às

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Operários que trabalhavam na obra afirmaram que estrutura da obra já havia apresentado problemas

Os familiares de três trabalhadores envolvidos no desabamento de um prédio em construção na zona leste de São Paulo, nesta terça-feira (27), afirmaram que uma das vítimas, internada em um hospital após ferir no acidente, disse que a obra já havia ameaçado cair nas últimas duas semanas.

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Bombeiros procuram a última vítima que foi retirada dos escombros na tarde desta quinta-feira (28/08). Foto: Divulgação/BombeirosBombeiros encontram corpo de nona vítima entre os escombros nesta quinta-feira (29); um operário segue desaparecido. Foto: Futura PressDesabamento completou 24 horas nesta manhã de quarta-feira (27); 50 homens trabalham para encontrar vítimas. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressTratores são utilizados nesta quarta-feira (28) para remoção dos escombros nas buscas por sobreviventes. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressNo final da noite (27) foi confirmada a oitava morte no desabamento; 26 foram socorridos com vida . Foto: Alex Falcão/Futura PressÀ noite foram usados refletores para iluminar a área de escombros, na zona leste. Foto: Alex Falcão/Futura PressCorpo é retirado dos escombros na zona leste. "Número de vítimas pode aumentar", diz capitão dos bombeiros. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressAgentes levam corpo de operário morto em desabamento na zona leste. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressFamiliares dos operários atingidos acompanham o trabalho dos bombeiros e Samu . Foto: Gabriela Bilo/Futura PressTrês lonas com cores diferentes (verde, amarelo e vermelho) indicam atendimento de acordo com a gravidade dos ferimentos. Foto: PETER LEONE/FUTURA PRESSHelicóptero Águia da Polícia Militar é usado para resgate de vítimas em estado crítico. Foto: PETER LEONE/FUTURA PRESSBombeiros caminham com cuidado entre os destroços e carros na região do desabamento. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressImóveis que ficam ao lado do terreno foram evacuados e interditados pela Defesa Civil por segurança. Foto: Futura PressCães farejadores durante intervalo das buscas na zona leste de São Paulo. Foto: Futura PressApós resgate, vítimas com ferimentos leves são levadas aos hospitais da região leste de SP. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloOutro operário é resgatado pela equipe do Samu. Isolante térmico é usado para aquecer as vítimas. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloDesabamento deixou mortos e feriu dezenas. Na foto, equipe resgata um dos operários soterrados. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressVítima que ficou soterrada é aquecida e recebe atendimento das equipes do Samu. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressFamiliares acompanham atendimento às vítimas pela equipe do Samu. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressCães farejadores são utilizados pelos bombeiros no salvamento; ao menos 60 homens estão no local. Foto: PETER LEONE/FUTURA PRESSEstrutura em construção cedeu na avenida Mateo Bei, região de São Mateus; operários foram soterrados. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressOperário sobrevivente aguarda resgate de colegas na zona leste. Pelo menos 35 homens trabalhavam no local. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressBombeiro durante resgate às vítimas soterradas; ao menos 20 equipes atuam no local do acidente. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressÁrea do acidente foi isolada pelo Corpo de Bombeiros. Órgãos acompanham o trabalho de regaste dos operários. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloOperários ficaram soterrados nos escombros da estrutura em São Mateus. Foto: PETER LEONE/FUTURA PRESSCarros que estavam estacionados próximo ao local foram cobertos pelos escombros, na zona leste. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressCarros também foram atingidos pelos escombros do prédio comercial no bairro de São Mateus. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressCenário de destruição na esquina da av. Mateo Bei com a rua Margarida Cardoso dos Santos, em São Mateus. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloBombeiro leva ferramenta usada para cortar estruturas durante resgate; 20 equipes estão no local. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressÁrea do acidente foi isolada pelo Corpo de Bombeiros. Agentes da Defesa Civil (de laranja) acompanham resgates. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloEquipes do Samu participam dos trabalhos de salvamento no desabamento, na zona leste. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressDefesa Civil deve ainda analisar os impactos do acidente na região; avenida foi bloqueada. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressMoradores da região acompanham o trabalho dos bombeiros de resgate aos operários soterrados. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressAvenida Mateo Bei foi totalmente interditada pela CET e tomada por viaturas dos bombeiros. Foto: Wesley Rodrigo/ Futura PressPolicial militar é visto na região do escombro na zona leste de São Paulo. Foto: Eduardo Sampaio/ Futura PressImagem da av. Mateo Bei antes da construção do prédio que cedeu. Havia uma comunidade no local. Foto: Reprodução

Em busca de informações sobre o filho, Felipe Santos, de 20 anos, Maria de Fátima e Francisco Feitosa reclamaram da falta de notícias sobre o jovem que está desaparecido. Ele trabalhava na obra há quatro semanas e estava morando em uma casa alugada próximo ao local.

De acordo com Francisco, o irmão Rubens Feitosa, um dos trabalhadores que ficou ferido no desabamanento, disse que estaria faltando um viga central na estrutura e por isso a obra já estava amaeaçada há duas semana. Segundo o operário, a construção quase caiu na última semana.

Além de Rubens Feitosa, também trabalhavam na obra o filho dele, Gleison Batista Feitosa, e o sobrinho Felipe Santos. 

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Do lado de fora do Hospital Geral de São Mateus, uma das quatro unidades que receberam vítimas do desabamento, amigos dos trabalhadores feridos que aguardavam por notícias de colegas relataram problemas na estrutura da obra.

Um deles é o pedreiro Valdemir Pereira da Silva, de 45 anos. Enquanto espera por informações sobre o estado de saúde de dois amigos, ele, que também é funcionário da construtora responsável pela obra e está de licença do trabalho por 15 dias, contou que a estrutura da obra era inadequada para o tipo de construção que estava sendo feita.

“Seis pilares no meio de 1.100 metros quadrados, com duas vigas para segurar uma laje deste tamanho. Estavam fazendo o reforço e aí acontece isso”, disse Silva. De acordo com ele, um dos colegas passa bem e está tomando soro, já o outro fez uma cirurgia.

Futura Press
Imóveis que ficam ao lado do terreno foram evacuados e interditados pela Defesa Civil por segurança

Até o começo da tarde desta terça-feira, 24 trabalhadores tinham sido resgatados pelo Corpo de Bombeiros. Os corpos dos mortos foram encaminhados para o Instituto Médico-Legal (IML) Central. 

A corretora de imóveis Marilene Aparecida passou em frente ao prédio minutos antes do desabamento. Depois, foi alertada sobre o ocorrido pela filha que estava em um ponto de ônibus. Ao ver a poeira, voltou ao local e acabou levando um dos trabalhadores feridos ao hospital, após ter recebido a autorização de um policial. “Ele estava com uma fratura exposta no braço e um machucado na cabeça. Ele conversou normalmente, disse que seu nome era Alcides, que era do Maranhão e que estava trabalhando ali há dois dias”, contou.

De acordo com Marilene, o operário, que é marceneiro, relatou que havia notado fragilidades na estrutura do prédio. “Eu não perguntei mais nada, apenas sobre a família. Estou em contato com a esposa dele que está no Maranhão e estou dando a ela as notícias”. Segundo ela, o homem ficou preso embaixo dos escombros, mas conseguiu sair junto com um colega por meio de um buraco feito em uma parede que dava no quintal de uma casa, também afetada pelo desabamento.

Conforme Marilene, o operário relatou que 30 a 45 pessoas estavam trabalhando no local no momento do desabamento. “Ele disse que foi tão rápido que ele nem entendeu o que aconteceu”, contou.

Já o pedreiro Guilherme Viana de Freitas aguarda notícias de dois irmãos resgatados dos escombros. Há 15 dias, ele deixou de trabalhar na obra. “Só sei que ele [um dos irmãos] foi resgatado, mas não sei em que hospital ele está, se foi mesmo retirado de lá. Ainda não tenho nenhuma notícia, não sei onde ele está. O outro irmão eu já sei que está bem, só com um corte na cabeça”.

“O comentário era de que as vigas eram muito pequenas para segurar um prédio daquele tamanho e que iam tentar reforçar. Aí aconteceu esse acidente”, disse Freitas.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a obra estava em andamento há pelo menos três meses e que houve um colapso da estrutura, sem explosões. Antes da obra, existia no local um posto de combustíveis. As causas do desabamento ainda são desconhecidas. Desde a manhã, a Polícia Civil está no local e somente depois da perícia poderá se chegar a uma conclusão. 

A avenida Mateo Bei onde a construção está situada é um polo de comércio do bairro de São Mateus, na zona leste. Momentos após o desabamento, a rua foi fechada para a circulação de veículos e a maioria das lojas fechou as portas.

* Com Agência Brasil

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