Em estado de greve, Polícia Civil de São Paulo pressiona o governo Alckmin

Por Vasconcelo Quadros , iG São Paulo | - Atualizada às

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Associações de policiais aguardam assembleias para marcar paralisações e protestos na capital e interior

As entidades que representam os policiais civis de São Paulo firmaram uma aliança para emparedar o governador Geraldo Alckmin com uma greve geral e pequenas paralisações, que reduzem o atendimento nas delegacias da capital e interior.

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“Estamos em estado de greve. Aguardamos as assembleias das demais categorias da Polícia Civil para decretar a paralisação total”, diz o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), George Melão.

A decisão foi tomada em assembleia realizada na terça-feira à noite com filiados e dirigentes das duas principais entidades da categoria, o Sidpesp e a Associação dos Delegados de Polícia (Adpesp). Passeatas, manifestações e paralisações serão intensificadas na capital e interior para protestar contra a gestão tucana na área de segurança pública.

“Chega de esperar. Há dois anos aguardamos resposta do governo. Agora estamos partindo para ações concretas”, afirma a presidente da Adpesp, Marilda Pansonato Pinheiro.

Segundo os dirigentes, a greve por tempo indeterminado pode ser decretada na semana que vem, assim que as demais categorias da Polícia Civil (são 14 no total) também realizarem suas assembleias.

As entidades querem reeditar a mesma jogada que terminou no confronto entre policiais civis e militares nas portas do Palácio dos Bandeirantes, no dia 16 de outubro de 2008, na gestão do ex-governador José Serra. “Cinco anos depois vamos voltar ao Bandeirantes”, anuncia a delegada.

Até lá, a Adpesp dará continuidade às chamadas operações blecaute na capital e em cidades mais importantes do interior paulista, onde nos últimos dias já foram realizadas três paralisações. As delegacias deixam de atender a população entre as 10h às 16h para marcar o protesto contra o governo. Nesta quinta-feira a paralisação será em Piracicaba e, na sexta-feira, em Campinas.

A interiorização dos protestos tem dois objetivos: mostrar para a população que o crime e a insegurança estão migrando da capital para as cidades de médio porte e, ao mesmo tempo, minar politicamente o prestígio do governador Geraldo Alckmin - que é candidato à reeleição - em suas principais bases eleitorais.

As entidades reclamam da defasagem salarial dos delegados e do contínuo sucateamento da Polícia Civil. Reivindicam um aumento mínimo de 86,97% (hoje o salário bruto é de R$ 7.208,00) e a reposição dos postos de trabalho que vêm sendo fechados desde 1994. O déficit, segundo as entidades, é de oito mil policiais.

Caso os policiais que têm direito se aposentassem, a estrutura do órgão encurtaria em quase dois terços. A Polícia Civil tem atualmente 27 mil policiais e, destes, pelo menos 17 mil poderiam, pela lei, requerer a aposentadoria. “A Polícia Civil fecharia as portas”, diz Marilda. “Há duas décadas nenhuma vaga é aberta ou preenchida”, diz Melão.

Segundo as entidades, o nível salarial da polícia civil paulista está classificado em 26º lugar entre os 27 Estados brasileiros. O empobrecimento da corporação tem provocado uma enorme debandada de policiais, que optam por trabalhar em outros Estados ou simplesmente mudam de profissão.

“Mensalmente cinco delegados deixam a Polícia Civil de São Paulo. Se levar em conta do concurso até a posse, um delegado custa ao governo R$ 100 mil, a debandada causa prejuízos de R$ 500 mil por mês ao contribuinte”, diz a delegada.

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