Prefeitura aumenta metas e desiste de fazer obras viárias do Arco do Futuro

Por Natália Peixoto - iG São Paulo | - Atualizada às

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Plano de Metas de Haddad cresceu, mas resultado final exclui parte do complexo viário norte e sul da Marginal do Tietê, estratégico e promessa de campanha do petista

Na versão final do Plano de Metas da prefeitura de Fernando Haddad (PT), nesta sexta-feira (16), a secretária do Planejamento e Gestão de São Paulo anunciou uma ampliação no projeto, que cresceu de 100 para 123 metas. No rearranjo, a prefeitura excluiu três metas polêmicas: a construção do túnel na av. Jornalista Roberto Marinho, o uso de um terço do efetivo da operação delegada no patrulhamento noturno de áreas com altos índices de violência, e as obras de alteração do complexo viário norte e sul da Marginal do Tietê, um dos principais eixos do Arco do Futuro.

Gabriela Bilo/Futura Press
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Uma das maiores promessas de campanha de Haddad, o Arco do Futuro é um conjunto de obras viárias e no entorno de avenidas para auxiliar num replanejamento urbano. Um dos eixos principais do projeto seriam as obras do complexo viário da Marginal Tietê, na parte central das reformas. Foram canceladas as obras que construiriam vias paralelas à Marginal, ligando as Via Dutra e Pirituba, na zona Norte, e a Av. Santos Dumon à Aricanduva, na zona Sul.

"O Arco do Futuro é uma proposta da gestão Haddad que continua absolutamente em pé", disse Leda Paulani. "A retirada da meta é simplesmente por uma questão orçamentária. São obras caras que nós percebemos que nós não teríamos recursos nessa gestão para fazer." O dinheiro que seria destinado para as obras foram realocados para outras metas, principalmente de cunho social.

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"O principal do Arco do futuro é levar emprego onde tem moradia e moradia onde tem emprego, e isso vai ser feito. Toda a reordenação que está sendo pensada no plano diretor, os incentivos fiscais para a zona Leste, as intervenções que já estão pensadas na Jacu Pêssego e na Cupecê, tudo isso é Arco do Futuro", disse a secretária. O prefeito não compareceu ao lançamento da versão final.

A secretária também anunciou o fim do projeto de levar a Operação Delegada para patrulhar os bairros à noite. A operação, que consiste em usar homens da Polícia Militar para agir como fiscais da prefeitura, em uma espécie de "bico oficial", foi muito criticada pelos cidadãos que participaram das audiências públicas. "A população não quis. A Operação Delegada não é bem vista pela população. Eles consideram que a PM é violenta", disse Paulani, que ressaltou que atual gestão "não compactua" com ações violentas.

Já a decisão de suspender a construção do túnel que ligaria a av.Jornalista Roberto Marinho à rodovia dos Imigrantes foi anunciada em julho. O túnel, de 2.350 metros, faz parte da Operação Urbana Água Espraiada e tem custo oficial de R$ 2,2 bilhões, considerado alto por especialistas. Prevista na gestão passada, ela iria contra o projeto de governo de Haddad, pois privilegiaria apenas carros.

Mudanças

As 123 metas da versão final estão organizadas em 20 objetivos, agrupadas em três eixos temáticos e cinco articulações territoriais. O novo objetivo, voltado para a inclusão e garantia dos direitos da população idosa, engloba cinco metas. As mudanças foram realizadas a partir das 10 mil contribuições das 6 mil pessoas que participaram de 35 audiências públicas.

O saldo final é um resultado de aglutinações, exclusões e adições de propostas. As mudanças mais sugeridas nas reuniões são ligadas aos temas de saúde, mobilidade, educação e moradia.

Também será criado o Conselho de Planejamento e Orçamento Participativo (CPOP), que terá a função de acompanhar e controlar o Plano de Metas e participar dos debates orçamentários do município. O CPOP será composto por 80 membros, sendo 12 representantes do poder público, 26 representantes de conselhos temáticos da cidade, 31 setoriais, cinco do conselho da cidade, 32 representantes do Conselho Participativo, além dos cinco conselheiros do Conselho Consultivo, que devem participar do novo órgão apenas até o fim do seu mandato de dois anos. A secretária também anunciou que a prefeitura deve lançar, até o final do ano, a ferramenta prometida para a população acompanhar o andamento das metas.

Haddad é o segundo prefeito da capital que apresenta o programa, uma exigência legal criada em 2008 por meio de uma emenda à Lei Orgânica do Município apresentada pela Rede Nossa São Paulo e outras 570 entidades da sociedade civil. Kassab foi o primeiro prefeito obrigado a apresentar o plano pela lei, e apresentou 223 metas em 2009.

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