"O menino poderia ter sido salvo", diz deputado policial sobre mortes de PMs

Por Vasconcelo Quadros , iG São Paulo | - Atualizada às

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Para o deputado estadual Major Olimpo, a Rota agiu com amadorismo ao não suspeitar das mortes já que o pai estava escalado para uma ação contra o PCC

Reprodução
Foto em site de relacionamento mostra casal de policiais militares e o filho

O deputado estadual Major Olímpio (PDT) disse nesta quarta-feira que o comando da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) agiu, no mínimo, com amadorismo ao não suspeitar das mortes dos cinco integrantes da família Pesseghini, na chacina ocorrida há dez dias em Brasilândia, na zona norte de São Paulo.

“Falo constrangido: nada funcionou”, disse o deputado policial ao considerar estranho que nenhum integrante da corporação tenha se certificado do que ocorreu com a família diante da ausência do sargento Luiz Marcelo Pesseghini no grupo da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) que seguiu em comboio em direção a Presidente Wenceslau na manhã do último dia 5 para realizar operações contra ações do Primeiro Comando da Capital (PCC).

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“Havia um planto de chamada. O sargento deveria se apresentar ao batalhão às 5 horas para seguir em comboio às 8 horas e não compareceu. Os corpos só foram encontrados 18 horas depois”, lembra Olímpio, para quem a falha foi determinante para ampliar a tragédia e semear confusão nas investigações.

“O menino poderia ter sido salvo”, diz o deputado. No momento em que policiais e retornaram para o batalhão sem confirmar o que havia acontecido com dois colegas, o menino estava na escola. Lá, uma vez localizado, poderia explicar o que aconteceu.

Polícia faz perícia na casa da família de PMs, assassinados na Vila Brasilândia. Foto: Edison Temoteo/Futura PressCâmeras de segurança mostram momento em que garoto vai à escola no início da manhã de segunda-feira (05). Foto: Futura PressFoto em site de relacionamento mostra casal de policiais militares e o filho. Foto: ReproduçãoCarro da polícia patrulha a rua da residência onde foram encontrados os cinco corpos (06/08). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressViatura policial em frente a residência no dia (06), na Vila Brasilândia. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGCasa onde foram encontrados os cinco corpos no bairro da Brasilândia, zona norte da cidade de São Paulo. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressPoliciais em frente a casa na Brasilândia, na manhã de terça-feira (06/08). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressParte do portão e do muro da casa onde o corpos foram encontrados, na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressA porta de entrada da casa do policias encontrados mortos na segunda-feira (05/08). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressAuto de lacração na casa onde foram encontrados os cinco corpos. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressDetalhe do portão da casa do policiais mortos em São Paulo. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressCasa onde foram encontrados os cinco corpos na segunda-feira (05/08), no bairro da Brasilândia, zona norte da cidade de São Paulo. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressPoliciais em frente ao portão da casa na tarde de terça-feira (06), em São Paulo . Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGFachada da escola onde estudava o menino de 13 anos. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGA escola do garoto também fica na zona norte de São Paulo. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGO delegado Itagiba Vieira Franco, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o caso . Foto: Eduardo Ferreira/Futura PressO delegado geral da Polícia Civil, Luiz Mauricio Blazeck chegando ao DHPP, na quinta-feira (8). Foto: Futura PressColégio Stella Rodrigues, na zona norte de São Paulo, onde estudava o garoto . Foto: Futura PressResidência da família Pesseghini amanheceu pichada na sexta-feira (09). Foto: Futura PressPedestres caminham e observam a casa número 42 da família Pesseghini, na sexta-feira (09). Foto: Carolina Garcia/iG São PauloFachada do colégio onde o menino estudava em São Paulo, uma semana depois do crime. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGMovimentação em frente ao colégio na volta às aulas (12/08). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGMovimentação de policiais em frente a escola na Freguesia do Ó, em São Paulo, nesta segunda-feira (12). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGMuros da casa pichados nesta manhã de segunda-feira (12). Foto: Wandeley Preite SobrinoPara chegar até a casa, pichadores precisaram pular os muros. Foto: Wandeley Preite SobrinoCasa ao lado direito da residência dos Pesseghini também foi pichada. Foto: Wandeley Preite SobrinoPortão da casa estava pichado desde a semana passada.. Foto: Wandeley Preite SobrinoMuro em frente à casa onde ocorreu o crime também foi pichada. Foto: Wandeley Preite SobrinoDona da casa reclamou das pichações em seu muro. Foto: Wandeley Preite SobrinoNotícia do crime completa uma semana nesta segunda-feira (12). Foto: Wandeley Preite SobrinoMoradora tenta apagar as pichações no muro de sua casa. Foto: Wandeley Preite SobrinoOração fixada no portão da casa onde aconteceu as cinco mortes em São Paulo. Foto: Wandeley Preite Sobrino

Olímpio não acredita na versão da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, segundo a qual, o menino matou os pais, a avó, a tia-avó e depois se suicidou com um tiro na cabeça. Caso essa versão venha a ser comprovada, diz ele, Luiz Marcelo, de 13 anos, poderia estar vivo porque teria sido contido ainda na escola. “Ficou claro que o sistema de comunicação falhou”, afirma o deputado policial.

Olímpio diz que o prazo de conclusão do inquérito (30 dias) e ausência de laudos que fortaleçam a hipótese da polícia recomendam cautela antes de se fechar questão em torno da tese da polícia. O que mais o intriga são a rapidez com que se difundiu a versão da polícia e os perfis das vítimas, Andréia e Luiz Marcelo, dois policiais cujas atuações afetavam tanto os desvios internos da corporação quanto o crime organizado.

“Não creio de jeito nenhum em homicídios seguidos de suicídio. Acho que foi um crime premeditado, organizado e executado para eliminar a família confundir a polícia. A hipótese mais provável é que a motivação esteja relacionada a ‘treta’ de polícia”, afirma, explicando que policiais do batalhão em que trabalhava Andréia estão envolvidos em desvios.

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