Atos contra corrupção no Metrô reúnem PT, sindicatos e MPL nesta quarta em SP

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

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Dois protestos estão marcados na capital paulista: o do PT e da CUT, e o do MPL e do Sindicato dos Metroviários

Um dia depois de o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciar que vai processar a Siemens e pedir o ressarcimento dos recursos desviados por um suposto cartel que atuaria no Metrô e CPTM, milhares de manifestantes são esperados em dois atos contra a corrupção no sistema de transportes em São Paulo.

O Sindicato dos Metroviários vai liderar um protesto na região central a partir das 15h desta quarta-feira, no Vale do Anhangabaú. A manifestação pretende passar pelas sedes do Ministério Público Estadual (responsável por dezenas de inquéritos que apuram desvios na CPTM e Metrô) e Defensoria Pública até chegar na Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos.

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No mesmo horário, grupos ligados ao PT e à CUT farão um protesto na Assembleia Legislativa de São Paulo com objetivo de cobrar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar os desvios. Da Alesp, os petistas e cutistas seguem para o Centro onde vão engrossar a manifestação dos metroviários.

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metroviários, Sérgio Renato Magalhães, mais de 20 entidades confirmaram presença no ato. Entre elas o Movimento Passe Livre (MPL), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Juntos, Anel, Conlutas e Intersindical, além da Juventude do PT e CUT. MPL e Juntos (ligado ao Psol), lideraram os protestos que serviram de estopim para a onda de manifestações de junho.

Alice Vergueiro/Futura Press
Esta é a primeira manifestação convocada pelo MPL desde junho

Na sede da CPTM, o sindicato pretende protocolar um documento com uma série de reivindicações, entre elas a punição a corruptos e corruptores, devolução dos valores desviados para o setor de transporte, ampliação do horário de funcionamento do metrô e abertura dos contratos públicos do setor tanto em âmbito estadual quanto municipal. "Queremos abrir a caixa preta dos transportes", disse Magalhães.

Segundo ele, não se trata de um protesto contra Alckmin ou o PSDB, mas de combate à toda a política de transportes que beneficia os empresários em detrimento dos usuários. "A corrupção no sistema não é episódica, é sistêmica", afirmou Magalhães.

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A inclusão do apoio à criação de uma CPI proposta pelo PT para investigar os casos Siemens e Alstom foi recusada pelos organizadores e não faz parte da carta de reivindicações.

O sindicalista criticou as medidas anunciadas nesta terça-feira por Alckmin. "Isso é nada. Ele (Alckmin) faz parte do processo. Não dá para acreditar que os governantes estejam fora desta estrutura corruptiva. O que o governador fez foi tentar criar uma cortina de fumaça", disse.

A expectativa é reunir pelo menos cinco mil pessoas no Anhangabaú. De acordo com Magalhães, existe preocupação em relação a presença de grupos radicais e atos de vandalismo pois o objetivo é fazer um protesto pacífico.

A volta do MPL

Essa é a primeira manifestação convocada pelo MPL em São Paulo desde a série de protestos organizados pelo grupo no mês de junho. O movimento começou levantar a bandeira da tarifa zero no transporte público em 2005, quando foi criado, mas ficou conhecido nacionalmente neste ano, depois que levou 100 mil pessoas às ruas na capítal paulista e derrubou o preço da tarifa de ônibus tanto em São Paulo como em várias cidades do País.

Apesar de ter impulsionado as manifestações, o MPL não tem líderes ou hierarquia. Segundo integrantes do movimentos, o objetivo disso é garantir voz a todos que queiram participar e discutir o tema. Por conta disso, os integrantes chegaram a ser criticados em manifestações que terminaram com cenas de vandalismo.

Em São Paulo, o grupo encerrou sua participação em atos públicos após a passeata de comemoração da redução do valor da passagem, no dia 21 de junho, que terminou com a expulsão de integrantes de movimentos sociais e partidos da avenida Paulista. O MPL chegou a divulgar comunicado condenando a atitude e reforçando a "origem" de esquerda.

"O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje (21 de junho), da mesma maneira que repudiamos a violência policial. Desde os primeiros protestos, essas organizações tomaram parte na mobilização. Oportunismo é tentar excluí-las da luta que construímos juntos. Toda força para quem luta por uma vida sem catracas", resumiu comunicado da época.

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