Haddad defende aumento do preço do combustível para subsidiar transporte público

Por Natália Peixoto , iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Estudo apresentado durante evento calcula que aumento de R$ 0,50 em reduziria em R$ 1,20 a tarifa de ônibus

O prefeito Fernando Haddad (PT) defendeu o subsídio do transporte individual ao transporte público em São Paulo, durante um evento sobre alternativas para o financiamento do transporte público, promovido pela Rede Nossa São Paulo e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP). "Há uma forma correta de subsidiar o transporte público que é criar um subsídio cruzado", disse em defesa da criação de um imposto específico para auxiliar as prefeituras no subsídio aos ônibus. A Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) seria cobrada diretamente sobre o combustível nas bombas dos postos.

Leia também: Usuário de carro deve financiar ônibus, diz secretário em SP

Gabriela Bilo/Futura Press
Prefeito Fernando Haddad participa do evento realizado pela rede Nossa São Paulo, nesta terça-feira (13)

Haddad defendeu a "priorização absoluta" do transporte público para desestimular o uso do carro no dia a dia e melhorar a qualidade dos ônibus, o que baratearia o serviço. O prefeito disse que, apesar de os prefeitos precisarem subsidiar mais o setor, não há dinheiro para isso. "Você até pode tomar a decisão política de aumentar o subsídio, mas vai ter que enfrentar as consequências", disse, lembrando a situação da prefeitura da capital, que está endividada.

O professor Samuel de Abreu Pessoa, chefe do Centro de Crescimento Econômico do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE-FGV) apresentou uma prévia de um estudo realizado pela instituição que aponta que a criação da Cide geraria uma pressão deflacionária, com uma queda de 0,026 pontos. Em uma projeção inicial, cada R$ 0,50 de aumento no preço da gasolina geraria um subsídio neutro do ponto de vista de arrecadação, que reduziria em R$ 1,20 a tarifa de ônibus.

Pessoa afirmou que as atuais políticas de expansão de ruas e investimentos no Metrô são equivocadas para São Paulo. "Sempre que aumenta as vias públicas para transporte individual, o uso do recurso vai aumentar", disse, usando como exemplo a saturação de vias como as novas pistas da Marginal Tietê. "A priorização do Metrô não é correta, porque ela não cabe no bolso da cidade de São Paulo. Teríamos que esperar 100 anos (para se construir tudo), e a cidade não tem 100 anos."

A deputada federal Luiza Erundina (PSB),  autora da Proposta de Emenda Costitucional (PEC) 90 que institui o transporte como "direito social", falou que a discussão sobre o preço irá permanecer enquanto os contratos forem feitos pelo modelo tarifário atual com as concessionárias. "É um problema político, por mais que nós queiramos focar no debate do subsídio", defendeu.

Também participaram do evento o coordenador-geral da Rede Nossão São Paulo, Oded Grajew, o diretor do Dieese, Clemente Ganz, o especialista em poluição atmosférica e professor da faculdade de Medicina da USP, Paulo Saldivia, o pesquisador do IPEA, Carlos de Carvalho e o diretor-executivo do Greenpeace, Fernando Rossetti.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas