"Ninguém aguenta mais", diz tio-avô de menino suspeito de crime em São Paulo

Por Wanderley Preite Sobrinho , iG São Paulo | - Atualizada às

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Na semana passada, Sebastião Costa colocou investigação policial sob suspeita ao defender inocência de sobrinho

Depois de três horas de depoimento, o tio-avô do garoto Marcelo Pesseguini, Sebastião de Olivera Costa, deixou o Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) nesta segunda-feira afirmando que, a partir de agora, não comenta mais a morte das cinco pessoas de sua família na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo na semana passada. Costa era o principal porta-voz da família, que não acredita na versão policial, que atribui o crime ao menino de 13, que teria cometido suicídio depois de matar os pais, a tia e a avó.

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Fabio Martins/Futura Press
Tio-avô do menino de 13 anos afirmou que a família não quer mais falar sobre o caso: "Não estamos podendo nem trabalhar"

“Não vou falar mais nada. Tudo o que vocês quiserem saber perguntem ao delegado”, afirmou Costa ao deixar o DHPP.

O tio-avô do menino voltou a dizer que a “a família está triste, chocada”. “Eu quero um pouco de sossego. Ninguém aguenta mais. Não estamos podendo nem trabalhar.”

Costa foi questionado se ainda acreditava na inocência de Marcelo. “Eu falei que não posso falar mais nada”, respondeu ele, que em seguida negou que a orientação tivesse partido de Itagiba Franco, o delegado responsável pelo caso. “A gente não vai falar mais nada”, repetiu.

Costa foi chamado para depor e entregar uma chave encontrada no domingo ao lado do portão que protege a casa na Brasilândia. “Eu não testei [a chave]. A perícia vai dizer.”

Depoimentos

Além de Costa, prestaram depoimentos hoje um estudante de 13 anos, colega de turma de Marcelo Pesseghini, a mãe deste aluno, e outro PM que era amigo da vítima Luís Marcelo Pesseguini. Com isso, já foram ouvidas 22 pessoas no inquérito que apura a morte das cinco vítimas.

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Casa pichada

Wandeley Preite Sobrino
Casas pichadas na zona norte de São Paulo

Hoje, a casa em que o crime ocorreu amanheceu com as paredes pichadas. Os responsáveis invadiram o terreno e picharam as paredes externas da residência pedindo “justiça”. Os muros de alguns vizinhos também foram pichados.

Janelas, portas e paredes foram cobertas com frases evocando justiça, mas nem pareciam se relacionar com o caso. Uma oração digitada em papel sulfite sob o título “pelos que regressaram à espiritualidade” foi colada no portão com fita adesiva.

“Depois de uma tragédia dessas, ainda tem quem faça isso?”, questionava uma das vizinhas enquanto tentava pintar as frases em seu muro.

A casa pertenceu aos pais de Andreia Pesseghini, que se mudaram para a Brasilândia há cerca de 50 anos. Veja imagens:


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