Polícia deve ouvir até cinco pessoas hoje. Delegado afirmou que espera aproximação amigável com a família

O delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) Itagiba Franco afirmou na manhã desta sexta-feira (09) que a designação de dois promotores para acompanhar a apuração da morte de cinco pessoas da mesma família, na Vila Brasilândia, na zona norte de São Paulo, trará maior credibilidade às investigações. O Ministério Público (MP) se junta à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para fiscalizar o caso posto em suspeita pela família das vítimas, que descarta a culpa do menino de 13 anos, que teria atirado contra o pai, mãe, avó e tia-avó, e depois se matado.

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"Estou feliz com isso porque vai dar credibilidade às investigações", afirmou o delegado, que soube da notícia pelo rádio. "Eles são muito bem vindos". Os procuradores Norberto Joia e André Luiz Bogado Cunha foram designados a acompanhar o caso pelo Procurador Geral Marcio Fernando Elias Rosa

Itagiba afirmou que os promotores terão a função de acompanhar as oitivas das testemunhas, mas não terão poder investigatório. "Para nós será uma honra". O MP vai ajudar os membros da OAB que já fazem esse serviço. "Eles não membro da comissão de segurança da ordem", explicou o delegado.

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Apuração

O DHPP pretende interrogar hoje até cinco pessoas: um parente da família, dois professoras - um deles já foi ouvido - e duas vizinhas. Uma delas deve confirmar a informação de que o garoto manobrava o carro da família todos os dias.

Movimentação em frente ao DHPP, nesta quinta-feira, em São Paulo
Wanderley Preite Sobrinho/iG
Movimentação em frente ao DHPP, nesta quinta-feira, em São Paulo

Investigadores disseram que em até 23 dias a perícia deve entregar o resultados do exame toxicológico dos corpos das vítimas, confirmar a hora exata do crime e divulgar o conteúdo do que foi encontrado no computadores da família.

O delegado teme, no entanto, que a ausência de uma testemunha ocular deixe sem resposta uma das questões mais importantes do caso: a motivação do crime. "Quem sabe o testemunho de um amigo diga o que estava atormentando o menino".

Embora ainda considere o filho do casal o principal suspeito, Itagiba pediu para se aproximar dos familiares. "Queremos uma aproximação amigável para derrubar o muro entre a polícia e família"

Chefe da Polícia Civil

O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Luiz Mauricio Blazeck, afirmou nesta sexta-feira que a polícia trabalha com um suspeito, o menino de 13 anos, mas que a investigação ainda está em curso.

"O inquérito não está concluído. Nada esta sendo desprezado, todos os informes são checados. Esperamos os laudos. Vamos investigar até estarmos aptos a concluir o caso", afirmou.

Blazeck também comentou sobre o principal foco da polícia para concluir o caso, o que teria levado ao crime. "Falta o motivo. Todo crime tem um. Aí poderemos concluir. Temos um suspeito forte, mas nada está concluído", completou.

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