"Se alguém deve ser culpado é a Infraero", diz defesa de réus do acidente da TAM

Por iG São Paulo , por Beatriz Atihe |

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Primeiro dia de depoimentos do julgamento do acidente que matou 199 pessoas em 2007 ocorreu nesta quarta

O advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, que representa dois dos três réus do acidente com o Airbus da TAM, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, afirmou nesta quarta-feira - data que foi iniciado os depoimentos do julgamento - que o avião da empresa tinha condições de voo e que os pilotos estavam aptos para voar nas condições apresentadas naquele início de noite do dia 17 de julho de 2007.

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Movimentação do julgamento da TAM em São Paulo, nesta quarta-feira (07). Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloBandeira brasileira com os nomes dos 199 mortos do acidente de 2007. Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloCartaz com a imagens das vítimas do acidente aéreo de 2007. Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloMaria Estala Outor, em frente à 8º Vara Criminal Federal de São paulo, nesta quarta-feira (07). Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloRoberto Silva perdeu a filha Madalena Silva, 20 anos, comissária de bordo, no acidente da TAM. Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloAparecida Bertoldi, em frente a sede da Justiça Federal em São Paulo. Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloMovimentação do julgamento da TAM em São Paulo, nesta quarta-feira (07). Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloVilma Oliveira, em frente à 8º Vara Criminal Federal de São Paulo. Foto: Beatriz Atihe, iG São Paulo

Ao defender a TAM, o advogado dos dois diretores da empresa que são réus neste julgamento culpou a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) pelas mortes. "O avião estava com condições para voo. Se alguém deve ser culpado é a Infraero. Os pilotos tem todo treinamento para pilotar sem o reverso", afirmou o defensor ao citar a condição que o avião apresentava no dia do acidente.

Para o procurador da Ministério Público Federal (MPF), Rodrigo De Grandis, a avaliação da acusação do primeiro dia de depoimentos foi positiva. "As testemunhas confirmaram a acusação e Cecilia confirmou que foi enganada pela Denise [Denise Abreu]. Vamos buscar a condenação", disse.

Os três reus, a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu; o vice-presidente de Operações da TAM, Alberto Fajerman e o diretor de Segurança de Voo da companhia, Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro estiveram presentes no julgamento. Eles respondem pelo crime de “atentado contra a segurança de transporte aéreo”, na modalidade culposa.

Dario Scott, presidente da Associação das famílias do voo da TAM (Afivatam), que acompanhou os depoimentos desta quarta-feira, também se mostrou satisfeito. "O julgamento já é uma vitória. Ver os réus pela primeira vez foi muito dificil por ser pai de uma das vítimas, mas acredito que os depoimentos foram positivos para a condenação".

Depoimentos

A primeira testemunha a falar foi a desembargadora federal Cecília Marcondes, que em 2007 havia dado a aprovação para a pista de Congonhas funcionar após uma reforma. Em seu depoimento, Cecília disse que se baseou nos estudos da Anac, de responsabilidade de Denise Abreu, para liberar a pista.

Beatriz Atihe, iG São Paulo
Maria Estala Outor, em frente à 8º Vara Criminal Federal de São paulo, nesta quarta-feira (07)

Na sequência foi ouvido foi o piloto José Eduardo Brosco. As perguntas para ele foram direcionadas sobre a condição dos voos. Brosco afirmou que pilotou um avião do mesmo modelo no dia antes ao acidente (16/07) e que percebeu que as condições na pista não eram boas.

Ao todo, oito testemunhas chamadas pelo Ministério Público Federal (MPF) devem se apresentar ao juiz federal Márcio Assad Guardia, da 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Ainda devem falar o piloto João Batista Moreno de Nunes, o co-piloto Elias Azem Filho e o analista da Embraer Gilberto Pedrosa. Luiz Kazume, ex-superintendente de infraestrututa da Anac, não deve ser ouvido porque estaria internado em um hospital.

Nesta fase do julgamento, serão lidos os autos do processo e serão ouvidos as testemunhas de acusação. As testemunhas de defesa serão ouvidas nos dias 11 de novembro (por videoconferência com a Subseção Judiciária do Rio de Janeiro), 12 de novembro (com a Subseção Judiciária de Brasília e de Curitiba) e nos dias 3, 9 e 10 de dezembro, em São Paulo.

Protesto

Fora da sede da Justiça Federal em São Paulo, familiares de vítimas do acidente levaram faixas de lembranças às vítimas e cobraram punição para os acusados por crimes no acidente. 

"Venho aqui para prestar uma homenagem. Mesmo não acreditando que haja alguma coisa que se possa fazer, mas quero que os responsáveis paguem pelo nosso sofrimento e quem pagou pela ineficiência deles foi nossos filhos. Ela estava voltando de férias e a última coisa que ela me disse foi 'me espera pra jantar, mãe'", disse Aparecida Bertoldi, mãe de Priscila Bertoldi, de 30 anos, que era advogada.

Já Roberto Silva, pai da comissária Madalena Silva, 20 anos, afirmou que espera que o julgamento termine em punições para os reponsáveis. "O sonho dela era voar e é difícil eu passar um dia sem chorar de saudade. Espero que se faça justiça, porque nós estamos cansados de tanta negligência. Aquele voo estava cheio de erros e é preciso que os responsáveis paguem por isso"

A mesma expectativa de Silva tem Maria Estela Outor Teixeira, mãe do publicitário Douglas Henrique, 31 anos, que tinha viajado a trabalho. "Eu espero justiça. Ter chegado até aqui foi uma vitória, mas queremos que os culpados paguem".

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