Empresa que iria operar bicicletário no Metrô foi furtada 39 vezes em 20 dias

Por Renan Truffi | - Atualizada às

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FGTV Produções desistiu porque queria "modernizar" espaços e sistema contra roubos, mas Metrô não permitiu

Não durou nem um mês a tentativa do Metrô de São Paulo de disponibilizar novamente bicicletários para os passageiros na capital paulista. A empresa do governo do Estado anunciou o acordo com a Brasil e Movimento (FGTV Produções) para reabertura do serviço em dez estações da cidade no dia 5 de julho. Mas, no último dia 2 de agosto, antes mesmo de completar 30 dias de parceria, a FGTV comunicou que tinha desistido do convênio. Segundo o presidente da Brasil e Movimento, Renato Frison, o motivo é que o Metrô de São Paulo não permitiu a reforma dos espaços para “modernização” do sistema, o que evitaria furtos de bicicletas.

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“Fizemos a solicitação (para reforma dos espaços reservados para bicicletários) porque nossas empresas têm alguns padrões internacionais. Queríamos colocar o mesmo formato que usamos fora do Brasil. Para o Metrô não foi interessante parar o atendimento. Para não manter um serviço sem qualidade, preferimos interromper. Foram 39 furtos de bicicleta. O sistema (antigo) é falho”, criticou Frison ao lembrar que também oferece o serviço nas cidades de São Caetano (SP), Campinas (SP) e Barcelona, na Espanha.

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Foram abertos espaços para estacionamento e aluguel de bicicletas nas estações Brás, Carrão, Corinthians-Itaquera, Guilhermina-Esperança, Liberdade, Paraíso, Sé, Santa Cecília, Tamanduateí e Vila Madalena. Com a decisão, o empréstimo foi suspenso. Mas, o Metrô decidiu assumir a guarda de bicicletas enquanto não apresenta uma nova proposta.

Leandro Martins/Futura Press
Bicicletário na estação Santana na época do primeiro convênio entre o Metrô de São Paulo e uma empresa para aluguel de bicicletas. FGTV Produções diz que sistema anterior é "antiquado"

Segundo informações do próprio Metrô, inicialmente seriam ofertadas, em cada uma das estações, dez vagas para estacionamento e dez bicicletas para locação, no mínimo. Para estacionar, o ciclista poderia usar o serviço gratuitamente por um período de 12 horas. Depois disso, cada hora passaria a custar R$ 2. Já o empréstimo de bicicletas sairia de graça apenas por uma hora e, para quem usasse por mais tempo, o valor também seria de R$ 2 por hora.

Frison explica que a empresa pretendia interromper o serviço por apenas 30 dias para depois reabrir todos os bicicletários e começar a oferecer, inclusive, serviço 24 horas por dia, integrado com o bilhete único. Mas sem a reforma, de acordo com ele, era difícil conseguir acordos de publicidade, que é o que sustentaria o serviço.

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“Não tinha como ficar com um sistema totalmente antiquado. Ou modernizava, e o usuário poderia usar 24 horas, integrado com bilhete único, ou encerrava o contrato. O Metrô até disse que poderíamos reformar se fosse feito de dois em dois bicicletários, mas ia demorar muito E outra, este sistema funciona por causa de publicidade. Do jeito que está (o espaço do bicicletário), não dava para conseguir anúncio”, argumentou.

O contrato entre o Metrô e a Brasil e Movimento era de um ano. A estatal não quis comentar as declarações, mas disse em comunicado que “tomará as medidas necessárias no âmbito administrativo”. Apesar disso, Frison afirmou que fez várias reuniões com diretores do Metrô antes do anúncio e disse que interrupção do serviço foi “amigável”.

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