Após ação de moradores, prefeitura promete concluir derrubada de muro no Moinho

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Comunidade marcou no Facebook para demolir parede que bloqueava a única rota de fuga em caso de incêndio

A Prefeitura de São Paulo prometeu nesta segunda-feira (5) concluir a demolição do muro de contenção construído na favela do Moinho em 2012 após um incêndio na comunidade, que fica no centro. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (5) em reunião com os moradores da comunidade, que no último domingo desafiaram a prefeitura ao derrubar uma parte da parede de quatro metros de altura – única rota de fuga em caso de nova tragédia.

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A comunidade foi atingida por dois grandes incêndios. Em 2011, 1,2 mil famílias ficaram sem casa e duas pessoas morreram. No ano passado, uma pessoa morreu e 300 famílias terminaram na rua.

Para evitar que o bloqueio termine em novas mortes em caso de outro incêndio, o prefeito Fernando Haddad (PT) se reuniu com uma comissão de moradores no dia 12 de julho, quando se comprometeu a implodir a contenção, construída para isolar os barracos do prédio que pegou fogo em setembro do ano passado.

Divulgação
Para chamar a atenção do poder público, os moradores divulgaram a demolição no Facebook

De acordo com a líder comunitária Alessandra Moja (29), a prefeitura prometeu derrubar o muro entre os dias 21 e 27 de julho, “mas ninguém apareceu”. “Derrubamos nós mesmos como uma demonstração de que a gente tem força também”, afirmou ela ao iG.

Para chamar a atenção do poder público, os moradores divulgaram a demolição em um evento no Facebook com direito à apresentação de um grupo de rap . “A derrubada começou às 11h e foi até 21h”, calcula Alessandra.

A prefeitura, que já havia marcado uma reunião com a comunidade nesta segunda, aproveitou o encontro para prometer enviar amanhã mesmo uma empreiteira até o local para estudar a melhor forma de por abaixo o restante da parede.

“Depois que viram o muro cair pelas redes sociais, ligaram para gente pedindo desculpas e prometendo uma resposta para hoje”, afirmou Caio Castor (30), outro líder comunitário.

Assista ao vídeo sobre a volta dos moradores à Favela do Moinho:

A Secretaria Municipal de Habitação afirmou à reportagem que o Corpo de Bombeiro deu aval para a derrubada do muro apenas na semana passada, ao contrário do que afirmam os moradores, que exibem uma liminar datada de março.

As lideranças da comunidade se recusam a deixar a área definitivamente. "A gente é pobre, mas não tem de viver na periferia. Eu mesma moro aqui há 18 anos", afirmou Alessandra.

Segundo o município, o terreno da favela está em nome “da União (extinta Rede Ferroviária Federal - RFF), 100% cercada por trilhos, operados pela CPTM, sem qualquer utilização viável, a não ser para atividades ferroviárias decorrentes do funcionamento atual desse sistema”. Em 2013 a favela completa 27 anos.

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