“O mundo do crime ganhou”, diz defesa de PMs réus do massacre no Carandiru

Por Wanderley Preite Sobrinho (iGSP) | - Atualizada às

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Para acusação, júri popular representa melhor a sociedade do que as “enquetes de internet”

Depois do julgamento que terminou com a condenação de 25 policiais militares a uma pena de 624 anos de prisão cada um pelas morte de 54 detentos na extinta casa de detenção Carandiru, os membros da promotoria e a advogada de defesa dos PMs condenados comentaram o resultado com a imprensa. Para a defensora Ieda Ribeiro de Souza, que vai recorrer da decisão, “o mundo do crime ganhou”. Já para o promotor Fernando Pereira Filho, o Juri Popular representa melhor a opinião da sociedade do que as declarações de internautas em “enquetes de internet”.

“Vai haver recurso”, garantiu Ieda ao deixar o plenário. “Hoje a sociedade perdeu e o mundo do crime ganhou”, afirmou a advogada ao classificar de “doente” a parcela da população que sai às ruas contra o abuso policial. “Quando a sociedade precisa, ela recorre à polícia. Se ela pensa assim [protestando contra a polícia], nós temos uma sociedade doente.”

Julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressA nova fase do julgamento conta com 26 policiais no banco dos réus, dos 79 agentes acusados. Foto: Futura PressO massacre que aconteceu em 1992 foi o pior da história do sistema penitenciário brasileiro. Foto: Futura PressO Juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo durante julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressJulgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressHomem protesta pedindo reforma do sistema penitenciário em frente ao Fórum onde acontece o julgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressEm outubro do ano passado, cento e onze cruzes foram colocam em frente ao Largo São Francisco por alunos da Faculdade de Direito, em lembrança aos mortos do massacre ocorrido há 20 anos, onde morreram 111 presos. Foto: Futura Press

Não é o que pensa o promotor, que considera o resultado do julgamento um sinal de que “a sociedade não quer mais compactuar com esses crimes”. “A voz da sociedade é dada no Tribunal do Juri, não só em enquetes de internet. O juri fica seis dias ouvindo testemunhas, lendo o processo, acompanhando os debates.” Já para a defensora, o resultado contraria o desejo da população: “vão para a internet: aquilo reflete a sociedade”.

Mais:

Veredicto: PMs são condenados a 624 anos por massacre do Carandiru
Quarto dia: 'Acha que voltei para casa e bebi um copo de sangue?', diz ex-Rota
Terceiro dia : Ex-capitão diz que foi atacado por detentos ao invadir presídio
Segundo dia: Julgamento tem depoimento de testemunhas em sigilo
Primeiro dia: Acusação dispensa testemunhas e usa vídeo de declarações

Para os julgamentos que ainda serão agendados, Ieda pretende manter a estratégia utilizada esta semana, quando foi avaliada a responsabilidade de sobre as mortes no 3º pavimento do Pavilhão 9. “A tese será essencialmente a mesma: não existe atribuição coletiva para os crimes, mas como o julgamento é político, não será fácil convencer.”

O promotor lamentou o fato de os réus, embora condenados, tenham o direito de deixarem o Fórum Criminal da Barra Funda pela portada frente, uma vez que lhes é resguardado o direito de aguardar o recurso em liberdade. “Eles foram condenados a 624 anos de prisão, mas saem daqui como se fossem inocentes.”

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