Júri condena 25 PMs a 624 anos de prisão por massacre no Carandiru

Por Wanderley Preite Sobrinho (iG São Paulo) |

compartilhe

Tamanho do texto

Os condenados podem recorrer da sentença em liberdade

Um júri popular formado por sete pessoas condenou na madrugada deste sábado (03), no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, 25 policiais militares a 624 anos de prisão cada um pela morte de 52 detentos no 3º pavimento do Pavilhão 9 da extinta casa de detenção. O episódio, que terminou com 111 pessoas assassinadas no dia 2 de outubro de 1992, entrou para a história como Massacre do Carandiru.

Foram considerados culpados por homicídio qualificado, já que não houve chance de defesa das vítimas. Os condenados, no entanto, podem pedir recurso da decisão em liberdade.

Julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressA nova fase do julgamento conta com 26 policiais no banco dos réus, dos 79 agentes acusados. Foto: Futura PressO massacre que aconteceu em 1992 foi o pior da história do sistema penitenciário brasileiro. Foto: Futura PressO Juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo durante julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressJulgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressHomem protesta pedindo reforma do sistema penitenciário em frente ao Fórum onde acontece o julgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressEm outubro do ano passado, cento e onze cruzes foram colocam em frente ao Largo São Francisco por alunos da Faculdade de Direito, em lembrança aos mortos do massacre ocorrido há 20 anos, onde morreram 111 presos. Foto: Futura Press

No total, foram cinco dias de julgamento com depoimentos de sobreviventes, autoridades e peritos. Este foi o segundo júri do caso. O primeiro, em abril, condenou 23 PMs a 156 anos de reclusão.

O julgamento

O último dia de júri popular foi marcado pelo embate entre as teses da acusação e da defesa, que tiveram espaço para as suas falas finais, com direito a réplica e tréplica. A advogada de defesa, Ieda Ribeiro de Souza, tentou provar que os policiais foram recebidos a tiros quando invadiram o Pavilhão 9. Ela afirmou que o trafico de armas de fogo no presídio era tão fácil quanto a entrada de drogas.

"Sete dias depois da rebelião, foram encontradas oito bananas de dinamite, uma granada e uma submetralhadora no Carandiru”, afirmou a defensora, que também projetou uma série de reportagens de crimes sem relação com a morte no Pavilhão 9, o que causou bate-boca com o promotor de Justiça Eduardo Olavo Canto, que perguntou à Ieda qual era a relação entre os vídeos e o massacre. “Em 1992, não tinha como documentar um sequestro, um assassinado, mas hoje sim. O que eu mostrei é o dia a dia dos policiais”, respondeu ela.

Já a promotoria surpreendeu ao revelar o número de assassinatos em serviço que cada réu responde sob alegação de legítima defesa, mesmo argumento defendido para justificar o massacre no 3º pavimento.

De acordo com o promotor, 300 pessoas foram mortas nestas circunstâncias até o ano 2000. Apenas um dos réus não responde por nenhum homicídio. Pelas contas do promotor, há policial com até 33 mortes sob justificativa de legítima defesa.

O massacre e o coronel

O massacre do Carandiru ocorreu no dia 2 de outubro de 1992. Durante uma rebelião, a Polícia Militar resolveu invadir o local e matou 111 presos. Nenhum policial morreu. A invasão foi comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, que chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, mas em fevereiro de 2006 o Tribunal de Justiça de São Paulo reformou a decisão e o absolveu. Ubiratan acabou morto no mesmo ano, em setembro de 2006, com um tiro na barriga, em seu apartamento nos Jardins, região nobre de São Paulo.

Depois de ter sua história manchada, a casa de detenção foi desativada no começo de 2002 e demolida no final do ano. No lugar, foi construído o Parque da Juventude.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas