“Só falta a senhora virar par os jurados e dizer que bandido bom é bandido morto”, gritou o promotor para a defensora

A fase que antecede a decisão do juri popular sobre o massacre do Carandiru foi marcado por um bate-boca entre a advogada dos policiais militares, Ieda Ribeiro de Souza, e a promotoria, que se irritou com a exibição de uma série de reportagens de crimes sem relação com a morte de 111 presos na extinta casa de detenção em outubro de 1992.

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A fase final da tréplica utilizada pela defesa para convencer os juri a absolver os réus foi preenchida por um vídeo com uma série de reportagens. As primeiras imagens mostravam recortes de jornais com manchetes de policiais mortos por bandidos. Em seguida, uma série de reportagens de TV mostrou o assassinato frio de bandidos a cidadãos comuns.


Ao final da exibição, o promotor Eduardo Olavo Canto perguntou à Ieda qual era a relação dos vídeos com o massacre na casa de detenção. A advogada disse que responderia depois, provocando a insistência da pergunta: “Só falta a senhora virar par os jurados e dizer que bandido bom é bandido morto!”

A defensora decidiu, então, justificar a projeção: “Em 1992, não tinha como documentar um sequestro, um assassinado, mas hoje sim. O que eu mostrei é o dia a dia dos policiais.”

Canto usou a réplica justamente para convencer os juri a não absolver os policiais usando a justificativa de que os mortos eram criminosos. “É justo absolver os PMs por que os mortos são bandidos? Então o Estado tem de se equiparar aos criminosos matando também?”.

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Diante do bate-boca que passou a dominar o julgamento, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre ameaçou esvaziar a assembleia para dar continuidade aos trabalhos. A confusão acabou e a advogada concluiu sua fala pedindo a absolvição dos réus.

Os sete jurados, então, se reuniram em uma sala secreta para decidir se absolvem ou condenamos 25 policiais da Rota que aturaram no 3º pavimento do Pavilhão 9.

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