Defesa exibe reportagens e provoca bate-boca em julgamento do Carandiru

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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“Só falta a senhora virar par os jurados e dizer que bandido bom é bandido morto”, gritou o promotor para a defensora

A fase que antecede a decisão do juri popular sobre o massacre do Carandiru foi marcado por um bate-boca entre a advogada dos policiais militares, Ieda Ribeiro de Souza, e a promotoria, que se irritou com a exibição de uma série de reportagens de crimes sem relação com a morte de 111 presos na extinta casa de detenção em outubro de 1992.

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A fase final da tréplica utilizada pela defesa para convencer os juri a absolver os réus foi preenchida por um vídeo com uma série de reportagens. As primeiras imagens mostravam recortes de jornais com manchetes de policiais mortos por bandidos. Em seguida, uma série de reportagens de TV mostrou o assassinato frio de bandidos a cidadãos comuns.

Julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressA nova fase do julgamento conta com 26 policiais no banco dos réus, dos 79 agentes acusados. Foto: Futura PressO massacre que aconteceu em 1992 foi o pior da história do sistema penitenciário brasileiro. Foto: Futura PressO Juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo durante julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressJulgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressHomem protesta pedindo reforma do sistema penitenciário em frente ao Fórum onde acontece o julgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressEm outubro do ano passado, cento e onze cruzes foram colocam em frente ao Largo São Francisco por alunos da Faculdade de Direito, em lembrança aos mortos do massacre ocorrido há 20 anos, onde morreram 111 presos. Foto: Futura Press


Ao final da exibição, o promotor Eduardo Olavo Canto perguntou à Ieda qual era a relação dos vídeos com o massacre na casa de detenção. A advogada disse que responderia depois, provocando a insistência da pergunta: “Só falta a senhora virar par os jurados e dizer que bandido bom é bandido morto!”

A defensora decidiu, então, justificar a projeção: “Em 1992, não tinha como documentar um sequestro, um assassinado, mas hoje sim. O que eu mostrei é o dia a dia dos policiais.”

Canto usou a réplica justamente para convencer os juri a não absolver os policiais usando a justificativa de que os mortos eram criminosos. “É justo absolver os PMs por que os mortos são bandidos? Então o Estado tem de se equiparar aos criminosos matando também?”.

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Diante do bate-boca que passou a dominar o julgamento, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre ameaçou esvaziar a assembleia para dar continuidade aos trabalhos. A confusão acabou e a advogada concluiu sua fala pedindo a absolvição dos réus.

Os sete jurados, então, se reuniram em uma sala secreta para decidir se absolvem ou condenamos 25 policiais da Rota que aturaram no 3º pavimento do Pavilhão 9.

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