Bairros da zona leste, dois com esgoto a céu aberto, esperam abertura do parque Jd. da Conquista. Pequeno erro na construção impede inauguração, diz prefeitura

Os bairros Carrãozinho, Vila Bela, Nova Conquista e Jardim da Conquista, na região de São Mateus, zona leste da capital, formam um complexo de casas carentes de estrutura e condições básicas de moradia. Há um ano eles ganharam um vizinho promissor, o parque Jardim da Conquista, que com os seus 559 mil m² ganhou o posto de 5º maior parque municipal de São Paulo . Teria tudo para ser uma boa notícia para os moradores, mas correntes e grades mantêm a área fechada desde sua conclusão. “As crianças não têm lugar para brincar e se isso continuar, vamos invadir”, ameaçou um morador, que não quis ser identificado.

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O parque municipal é fruto de um acordo entre Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) e Prefeitura de São Paulo de compensação ambiental para a extensão da avenida Jacu Pêssego/Nova Trabalhadores. Em documento obtido pelo iG, com data de 30 de janeiro de 2008, os órgãos já analisavam em audiência pública os impactos ambientais que a obra causaria. O parque foi então construído, a partir de 2010, para suprir as demandas ecológicas da região. E poderia ser um espaço de lazer para quatro bairros da zona leste, dois ainda sem saneamento básico.

Moradores se dizem inconformados com o descaso público e que a situação já dura pelo menos um ano. À margem do Rodoanel, o parque enfrenta um processo de degradação. Apesar de ter uma guarita e vigilantes, cenas de abandono são comuns. O portão, por exemplo, é firmado com arames amarrados a uma mureta de concreto e já tem sinais de ferrugem. A beleza do local é logo comprometida pelo cheiro de esgoto, que corta a calçada entre entulhos e lixo.

Comerciante Piauí pensava que a região era uma obra particular, um condomínio fechado
Carolina Garcia/iG São Paulo
Comerciante Piauí pensava que a região era uma obra particular, um condomínio fechado

Integrantes da ONG Bala de Goma, que atua na região, informaram que o local nunca passou por manutenção, e “a altura da grama e a quantidade de lixo revelam o abandono”.

Condomínio fechado?

O comerciante Piauí, proprietário da Quitanda do Piauí e morador há 16 anos, disse que olhava para o gramado com quiosques e playground e achava que era um condomínio fechado. “Nunca imaginei que fariam um negócio daquele sendo que aqui não tem nem saneamento. É um erro nas prioridades, aqui precisamos de segurança e conforto primeiro”.

Muitos relataram ao iG que desconheciam a presença do parque e citaram descrença no poder público. “Sabe como é, né? Pobre não tem nada e não acredita em promessas. Como o parque nunca abriu, deixamos assim mesmo. Mas seria bom ter algo para o lazer das crianças aqui”, disse Milton Gomes, de 65 anos, um dos proprietários da padaria “Primos”, no centro de Vila Bela. 

Assista ao vídeo com os moradores de Vila Bela:

Sem espaço para o lazer, crianças empinam pipa e jogam bola em um campo de futebol improvisado na propriedade da Sabesp, vizinha ao parque. Vinícius, de 15 anos, disse que “dá para entrar” no parque, mas que logo são expulsos pelos vigias. “Já tem um buraco lá [no portão] e dá para passar, logo vamos cansar de esperar e vamos invadir. A gente quer brincar só, nada demais”.

Licitação e falhas no projeto

Segundo o administrador do local Maurício Pimentel, de 25 anos, que se apresentou como funcionário da Prefeitura de São Paulo, o parque será inaugurado em breve “mas aguarda a contratação de uma equipe de manejo, uma licitação”. Pimentel disse estar no local há 40 dias e não sabia informar há quanto tempo o parque foi concluído. “Antes tinha um outro administrador temporário, que cuidava de outros dois parques. Aí eu entrei."

Para ele, que diz entender o clamor popular, os moradores deveriam fazer um mutirão para registrar os pedidos no 156, número de atendimento da prefeitura. “Pode ser que acelere o processo. Entendo que é uma região carente, mas a burocracia deve ser respeitada”, explicou.

Moradores ficam do lado de fora. Vista do terreno ao lado do parque Jardim da Conquista
Carolina Garcia/iG São Paulo
Moradores ficam do lado de fora. Vista do terreno ao lado do parque Jardim da Conquista

Já a Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA), pasta responsável pela administração dos parques municipais, não informou quando a obra foi entregue, mas cita que o ‘empecilho’ é uma falha na obra e pendências que teriam que ser revolvidas pela Dersa.

“A empresa instalou alambrado com mourões de concreto. Esclarecemos que o padrão correto [de acordo com as diretrizes de Departamentos de Parques e Áreas Verdes (Depave)] é a instalação de gradil e portão padrão com muretas”, disse por meio de nota.

Procurada pelo iG, a assessoria da Dersa informou em nota que o local foi entregue no segundo semestre de 2012 e "está pronto para pleno funcionamento". A empresa ainda nega que tenha ocorrido erro na obra e disse que o cercamento - alvo de críticas da prefeitura - "não impede o parque de funcionar". 

"A Dersa implantou o parque, construiu toda a infraestrutura necessária para o funcionamento e cercou com alambrados, conforme acordo estabelecido entre a companhia e a SVMA. O parque Jardim da Conquista, que hoje se encontra sob administração da SVMA, está pronto para ser aberto ao público".

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