Resultado do júri em São Paulo é esperado para esta noite ou para o início da madrugada deste sábado

A advogada Ieda Ribeiro de Souza, defensora dos policiais militares acusados por 52 das 111 mortes no Carandiru , responsabilizou o ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho pelo episódio na extinta casa de detenção em outubro de 1992.

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Ieda tomou a palavra por volta das 15h, depois que a promotoria abriu os trabalhos combatendo a tese de que os policiais atiraram contra os detentos em legítima defesa . “Em nome da sociedade”, a defensora pediu desculpas aos 23 réus presentes por tratá-los como se fossem invisíveis. Depois, elegeu o homem que deveria ser julgado no lugar deles: o ex-governador.

“Quem deveria estar aqui é o doutor Fleury”, disse ela, lembrando que então peemedebista negou ter dado a ordem, mas disse que faria isso se estivesse em seu gabinete no momento em que houve a invasão. “Nós não sabermos o que está acontecendo tudo bem, mas o governador não saber é indecente, inconcebível”, disse ela.

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A defensora lembrou que dois dias depois do ocorrido, havia eleição. “Ninguém em véspera de eleição iria se comprometer. Então, ele colocou nas costas desses homens” afirmou. Para Ieda, Fleury não foi julgado “porque tem costas quentes”.

O ex-governador prestou depoimento duas vezes, a última nesta semana. Sobre suas declarações, Ieda foi irônica: “ele senta aqui com aquela cara que Deus lhe deu e diz que foi dormir com a notícia de 40 mortes. Ele dormiu? Ele deveria ter ficado acordado e ido até lá para ver o que aconteceu”.

Laudo

A advogada também tentou desqualificar o laudo do perito Osvaldo Negrini Neto ao lembrar que ele responde a um processo na justiça por ter fraudado um concurso de perito. De acordo com seu parecer, os detentos não atiraram contra os policiais durante a invasão do Pavilhão 9.

“Esses homens estão sendo traídos pelo governo, pela polícia. Eles estão sozinhos”, discursou a advogada, que em seguida exibiu o depoimento do ex-governador admitindo sua responsabilidade política.

Para desfazer a imagem de vítimas, Ieda exibiu fotos de corpos de detentos assassinados por outros presos em rebeliões. Ela concluiu afirmando que a condenação dos policiais “é impossível” porque não houve perícia nem confronto balístico que relacionasse os tiros com as armas usadas na ação. “Se não se sabe quem matou, como podem atribuir a esses homens uma condenação?”

Depois de três horas, a advogada pediu a absolvição dos réus. Em seguida, a promotoria se manifestou favoravelmente ao direito de réplica, ou mais duas horas para convencer o juri a condenar os réus. A defesa também fará uso de duas horas de tréplica.

Depois dos debates, os jurados vão se reunir em uma sala secreta para decidir o destino dos acusados. De acordo com o juizRodrigo Tellini de Aguirre, os sete homens do juri terão de responder até 7300 perguntas, resultado da seguinte conta: quatro quesitos (materialidade, autoria, absolvição e qualificadoras) para as 73 vítimas multiplicado pelos 25 réus.

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