Outros batalhões envolvidos não estão sendo julgados, diz tenente da Rota

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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Defesa insinua que massacre não foi feito pela Rota, única responsabilizada pelas 111 mortes no Carandiru

Apontados como os únicos responsáveis pelas mortes de 111 detentos na extinta casa de detenção Carandiru, os quatro réus que prestaram depoimento na quarta-feira afirmaram que efetuaram poucos disparos no Pavilhão 9 em uma “rápida ação de 15 minutos”, o que tornaria “impossível” o assassinato de 73 detentos no 3º pavimento do complexo.

Primeiro dia: Acusação dispensa testemunhas e usa vídeo de declarações
Segundo dia: Julgamento tem depoimento de testemunhas em sigilo
Terceiro dia: Ex-capitão da Rota diz que foi atacado por detentos ao invadir Carandiru

Inicialmente na retaguarda, a Rota foi deslocada para a dianteira depois que o coronel Ubiratan Guimarães considerou a possibilidade de que a rebelião se espalhasse pelo presídio. Segundo o líder da ação no 3º pavimento, o hoje coronel Valter Alves Mendonça, a ação durou um quarto de hora, tempo suficiente para acalmar o pavilhão e balear “oito ou nove” detentos que teriam atirado contra o batalhão.

Julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressA nova fase do julgamento conta com 26 policiais no banco dos réus, dos 79 agentes acusados. Foto: Futura PressO massacre que aconteceu em 1992 foi o pior da história do sistema penitenciário brasileiro. Foto: Futura PressO Juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo durante julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressJulgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressHomem protesta pedindo reforma do sistema penitenciário em frente ao Fórum onde acontece o julgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressEm outubro do ano passado, cento e onze cruzes foram colocam em frente ao Largo São Francisco por alunos da Faculdade de Direito, em lembrança aos mortos do massacre ocorrido há 20 anos, onde morreram 111 presos. Foto: Futura Press


Os réus afirmaram que as tropas do segundo e terceiro Batalhão de Choque subiram depois da ação da Rota, que foi proibida de retornar ao local. O tenente Carlos Alberto dos Santos disse ser “humanamente impossível que esse massacre ocorresse em 15 minutos”.

A advogada de defesa Ieda Ribeiro de Souza exibiu para o juri uma foto de detentos nus carregando um corpo. Em volta deles, policiais assistiam a cena. Questionado sobre a participação de oficiais da Rota naquela imagem, Santos afirmou que nenhuma farda pertencia a sua corporação.

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Em tom de desabafo, ele apontou para os outros réus e disse que eles só estavam ali porque os membros da Rota admitiram a execução de disparos quando questionados pela Justiça, ao contrário dos outros policiais. “Outros batalhões de choque efetuaram disparos, mas eles não estão aqui.”

O massacre

O massacre do Carandiru ocorreu no dia 2 de outubro de 1992. Durante uma rebelião, a Polícia Militar invadiu o local e matou 111 pessoas. A invasão foi comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, que chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, mas em fevereiro de 2006 o Tribunal de Justiça de São Paulo reformou a decisão e o absolveu. Ubiratan acabou morto no mesmo ano, em setembro de 2006, com um tiro na barriga, em seu apartamento nos Jardins, região nobre de São Paulo.

Depois de ter sua história manchada, a casa de detenção foi desativada no começo de 2002 e demolida no final do ano. No lugar, foi construído o Parque da Juventude.

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