O foco do protesto são as denúncias de pagamento de propinas a políticos e formação de cartel em obras milionárias do Metrô durante os governos do PSDB

O Movimento Passe Livre e pelo menos outros cinco movimentos populares vão engrossar um ato contra os supostos desvios de dinheiro no Metrô de São Paulo convocado pelo Sindicato dos Metroviários, no dia 14 de agosto.

Leia também:

MPL encerra protestos, reforça origem de esquerda e diz que não é antipartidário

Dilma recebe MPL, governadores e prefeitos para discutir manifestações

Além do sindicato e do MPL devem participar do ato a Associação Nacional de Estudantes Livres (Anel), Conlutas (ligada ao PSTU), Intersindical (ligada ao PSOL), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST, que tem alguns dirigentes ligados ao PT) e Periferia Ativa.

O foco do protesto são as denúncias de pagamento de propinas a políticos e formação de cartel em obras milionárias do Metrô durante os governos do PSDB.

Em 2008, investigações realizadas na Suíça revelaram que a Alstom, empresa que ganhou licitações milionárias no Metrô paulistano, pagava propinas a políticos brasileiros. No mês passado um grupo de executivos da Siemens, que também participou de contratos milionários, foi ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) do Banco Central, para relatar um esquema de cartéis em várias obras do Metrô e da CPTM incluindo outras 13 grandes empresas. Segundo ao auto-denúncia, o valor das obras era superfaturado em até 30%.

Segundo levantamento feito pelo iG junto ao Ministério Público Estadual, Metrô e CPTM são alvo de mais de 130 ações por irregularidades em uso de dinheiro público . Os contratos somam mais de R$ 1,5 bilhão.

De acordo com Monique Félix, representante do MPL, o ato do dia 14 não será uma manifestação contra o governo Geraldo Alckmin (PSDB) mas de denúncia em relação aos interesses financeiros que movem a política de transportes em São Paulo.

"O motivo é mostrar como a maior parte dos recursos são sempre usados para interesses privados, para o lucro dos empresários através da corrupção que existe para manter determinados grupos no poder", disse Monique, deixando claro que o MPL é um movimento apartidário. "A gente entende a gravidade dessas denúncias mas o foco principal da mobilização é a prevalência dos interesses privados", completou.

Segundo ela, o Sindicato dos Metroviários é um parceiro histórico do MPL. No dia 5 de junho o presidente do sindicato, Altino de Melo Prazeres Júnior, foi preso durante um dos atos do MPL pela revogação do aumento das tarifas de transporte.

Ontem, um ato contra os desvios no Metrô terminou em confusão e detenções no centro de São Paulo . O PT tenta emplacar uma CPI na Assembleia Legislativa para investigar as denúncias. Embora não tenha participação direta no ato do dia 14, líderes do PT na Alesp acreditam qe a mobilização popular pode ajudar a pressionar a base do governo Alckmin a assinar o pedido de CPI.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.