Ao todo, cinco PMs falarão pelo batalhão que atuou no 3º pavimento do complexo penitenciário; júri entra no 3º dia

O terceiro dia da 2º fase do júri do massacre do Carandiru começa hoje com o interrogatório dos réus, que serão escolhidos entre os 25 PMs acusados pela morte de 73 presos no 3º pavimento do Pavilhão 9 da extinta casa de detenção. Responsável pela escolha de quem vai representar a maioria, a advogada de defesa, Ieda Ribeiro de Souza, informou que cinco PMs serão interrogados.

No 2º dia, julgamento do Carandiru tem depoimento de testemunhas em sigilo
"A entrada no Carandiru foi legítima e necessária", diz ex-governador Fleury

O massacre aconteceu no dia 2 de outubro de 1992, quando a Polícia Militar deixou 111 mortos ao invadir o local para conter uma briga entre presos. Todos os policiais saíram ilesos.

Nos dois primeiros dias, o julgamento ouviu o depoimento das testemunhas de acusação e defesa. Embora os sete homens que formam o Conselho de Sentença precisem avaliar os acontecimentos no 3º pavimento, defesa e acusação recorreram à exibição de vídeos com declarações colhidas na primeira fase do julgamento, quando 23 policiais foram condenados pela morte de 13 presos no 2º pavimento.

Depois dos interrogatórios de hoje, as partes vão ler peças do processo e exibir alguns vídeos na quinta-feira (1º). O juiz do caso, Rodrigo Tellini de Aguirre, prevê que os debates entre acusação e defesa ocorra na sexta, dia também reservado para a sentença.

Sigilo

Ontem (30), o julgamento surpreendeu pela repetição de depoimentos e sigilo absoluto sobre as duas únicas testemunhas inéditas. Das seis pessoas convocadas para defender os policiais, quatro já eram conhecidas.

As oitivas dos desembargadores Ivo de Almeida e Luiz Augusto San Juan França, realizadas em abril, foram exibidas em vídeo. O ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho e seu então secretário de Segurança, Pedro Franco de Campos, compareceram ao júri, mas reafirmaram o que haviam dito também na primeira fase.

Sem novidade, a expectativa ficou por conta da divulgação do conteúdo do depoimento de duas testemunhas protegidas. A identificada pela letra “B” foi a primeira a falar, enquanto a testemunha “A” foi ouvida depois do governador. A reportagem questionou o juiz sobre a razão para não divulgar o que foi falado em plenário: “vamos proteger os depoimentos e os nomes para preservar a segurança das testemunhas”, resumiu o magistrado, que atribuiu a decisão a um pedido da advogada dos PMs. Ieda decidiu não conceder entrevista durante todo o julgamento

Em suas falas, o ex-governador e seu então secretário voltaram a defender a invasão do pavilhão justificando o “gigantismo” da briga entre presos, que poderia chegar a outros pavilhões. “Não há duvida de que era necessária a entrada no Carandiru naquele momento”, afirmou Fleury. “A entrada foi legítima e necessária. Eu não dei a ordem, mas se estivesse no gabinete, com as informações que recebi, eu teria dado a ordem para entrar.”

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