"A entrada no Carandiru foi legítima e necessária", diz ex-governador Fleury

Por Wanderley Preite Sobrinho , iG São Paulo | - Atualizada às

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Ex-governador e ex-secretário de segurança defenderam a ação que deixou 111 mortos no Pavilhão 9 do Carandiru

Em depoimento nesta terça-feira (30), o ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho voltou a tomar para si a responsabilidade política sobre a invasão da Polícia Militar à antiga casa de detenção Carandiru, em outubro de 1992, quando 111 detentos foram assassinados. De acordo com o então governador, a ação da polícia foi inevitável. A declaração foi feita na segunda etapa do julgamento do massacre, que avalia a responsabilidade de 27 policiais acusados pela morte de 73 pessoas no terceiro pavimento do Pavilhão 9 do antigo presídio.

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Julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressA nova fase do julgamento conta com 26 policiais no banco dos réus, dos 79 agentes acusados. Foto: Futura PressO massacre que aconteceu em 1992 foi o pior da história do sistema penitenciário brasileiro. Foto: Futura PressO Juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo durante julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressJulgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressHomem protesta pedindo reforma do sistema penitenciário em frente ao Fórum onde acontece o julgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressEm outubro do ano passado, cento e onze cruzes foram colocam em frente ao Largo São Francisco por alunos da Faculdade de Direito, em lembrança aos mortos do massacre ocorrido há 20 anos, onde morreram 111 presos. Foto: Futura Press

“Não há duvida de que era necessária a entrada no Carandiru naquele momento”, afirmou o ex-governador. “A entrada foi legítima e necessária. Eu não dei a ordem, mas se estivesse no gabinete, com as informações que recebi, eu teria dado a ordem para entrar.”

Em tom político, Fleury afirmou que em seu governo “a policia não se omitia, não tinha criminoso jogando bola com cabeça de outro preso”. “Já disse antes e repito: a responsabilidade política pela invasão é minha.”

Antes das declarações do ex-governador, a testemunha ouvida foi o então secretário de segurança, Pedro Franco de Campos, que justificou a invasão dizendo não haver “outra alternativa”. “As negociações estavam esgotadas. A situação era caótica”, disse ele.

Na ocasião, Campos recebeu uma chamada telefônica do coronel Ubiratan Guimarães, responsável pela operação, explicando o temor de que a briga entre os presos se espalhasse pelo presídio. Pelas contas do ex-governador, havia sete mil detentos no complexo, 1200 dos quais no Pavilhão 9. “O gigantismo da rebelião trazia a possibilidade de ela se espalhar pelo presídio”, insistiu o secretário.

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Testemunhas

Antes da oitiva de Campos e Fleury, o juri ouviu a primeira das duas testemunhas sigilosas. A segunda foi ouvida depois do intervalo do almoço. Depois desse depoimento, são exibidos dois vídeos com declarações colhidas na primeira fase do julgamento, que em abril condenou 23 policiais a 150 anos de prisão.

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