Sete homens julgarão PMs em novo júri do massacre do Carandiru

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Jurados passaram por exame médico "para aguentar maratona", diz juiz; 27 PMs sentam no banco dos réus

Começou nesta segunda-feira, por volta das 9 horas, a segunda etapa do julgamento do massacre do Carandiru, em São Paulo. O Conselho de Sentença, composto por sete homens, foi formado após sorteio. Eles julgarão os 27 PMs que atuaram no 3º pavimento do Pavilhão 9. Os trabalhos são realizados no Plenário 10 do Fórum da Barra Funda, zona oeste da capital paulista. 

Em novo júri, defesa deve desqualificar 1º julgamento de massacre do Carandiru

Futura Press
Julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira

Na primeira etapa, realizada em abril deste anos, 23 PMs foram condenados a mais de 150 anos de reclusão. Desta vez, a missão da advogada Ieda Ribeiro de Souza será reverter a tendência de nova condenação. Para isso, ela terá de desqualificar o 1º júri ou provar que a ação no terceiro pavimento foi muito diferente da que ocorreu no segundo, onde 13 pessoas foram assassinadas.

De acordo com o juiz do caso, Rodrigo Tellini de Aguirre, defesa e acusação escolheram sete homens. “São sete jurados homens que já passaram por avaliação médica e estão preparado para suportar a maratona”, afirmou o magistrado.

Júri condena 23 PMs a 156 anos de prisão por massacre no Carandiru
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Repórter conta como foi a cobertura do massacre do Carandiru

Aguirre se refere ao longo julgamento, que só deve terminar na sexta-feira (2). De acordo com o juiz, os escolhidos estão lendo as peças do processo. Em seguida, haverá um intervalo para almoço, quando, a partir das 14h, as testemunhas de acusação começarão a ser ouvidas.

AE
Fachada da Casa de Detenção do Complexo Penitenciário do Carandiru, dois dias após massacre

Na terça, o julgamento começará às 10h já com a oitiva das testemunhas de defesa. Na quarta, os réus serão interrogados. Na quinta, as partes vão ler peças do processo e exibir alguns vídeos. “Sexta será o dia dos debates e da sentença”, concluiu Aguirre.

Durante o julgamento, que deve levar a semana toda, serão ouvidas 11 testemunhas de acusação e seis de defesa. A reportagem marcou entrevista com a advogada dos PMs, mas ela não atendeu as chamadas no horário marcado.

O massacre

O massacre do Carandiru ocorreu no dia 2 de outubro de 1992. Durante uma rebelião, a Polícia Militar invadiu o local e matou 111 presos. Todos os policiais saíram ilesos. A invasão foi comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, que chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, mas em fevereiro de 2006 o Tribunal de Justiça de São Paulo reformou a decisão e o absolveu. Ubiratan acabou morto no mesmo ano, em setembro de 2006, com um tiro na barriga, em seu apartamento nos Jardins, região nobre de São Paulo.

Depois de ter sua história manchada, a casa de detenção foi desativada no começo de 2002 e demolida no final do ano. No lugar, foi construído o Parque da Juventude.

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