Promotoria dispensa sete testemunhas de acusação em júri do Carandiru

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Motivo da dispensa não foi revelado pelo MP. Júri avalia responsabilidade de 27 PMs no 3º pavimento do complexo

Embora 11 testemunhas de acusação tenham sido convocadas, sete delas foram dispensadas nesta segunda-feira pelos promotores responsáveis por acusar 27 PMs. Os agentes respondem pela morte de 73 presos no 3º pavimento do Pavilhão 9 da extinto Carandiru, em outubro de 1992.

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Futura Press
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A segunda etapa do julgamento começou hoje com previsão para durar toda a semana. A primeira, em abril deste ano, condenou 23 PMs a 150 anos de reclusão. A justificativa para a dispensa das testemunhas não foi revelada. Apenas uma delas foi ouvida, o perito Osvaldo Negrini Neto, que relatou a dificuldade enfrentada para avaliar as condições em que o massacre ocorreu.

Além de Negrini, serão exibidos “dois ou três vídeos” com o testemunho colhido durante as investigações, de acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ainda segundo a assessoria, na terça-feira (30) será a vez de ouvir as oito testemunhas de defesa: seis em plenário e duas também por meio de vídeos gravados durante o inquérito.

Apesar da dispensa das testemunhas de acusação, o julgamento está previsto para terminar apenas na sexta-feira (2). De acordo com o juiz do caso, Rodrigo Tellini de Aguirre, os trabalhos começarão às 10h na terça-feira já com a oitiva das testemunhas de defesa.

Na quarta, os réus serão interrogados. Na quinta, as partes vão ler peças do processo e exibir alguns vídeos. “Sexta será o dia dos debates e da sentença”, concluiu Aguirre.

O caso

O massacre do Carandiru ocorreu no dia 2 de outubro de 1992. Durante uma rebelião, a Polícia Militar invadiu o local e matou 111 presos. Todos os policiais saíram ilesos. A invasão foi comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, que chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, mas em fevereiro de 2006 o Tribunal de Justiça de São Paulo reformou a decisão e o absolveu.

Ubiratan acabou morto no mesmo ano, em setembro de 2006, com um tiro na barriga, em seu apartamento nos Jardins, região nobre de São Paulo. Depois de ter sua história manchada, a casa de detenção foi desativada no começo de 2002 e demolida no final do ano. No lugar, foi construído o Parque da Juventude.

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