Fiéis se emocionam ao falar de Francisco, mas mudam de expressão quando comentam a organização

Valdeli Moreita (71), que foi roubada enquanto esperava na fila
Wanderley Preite Sobrinho/iG
Valdeli Moreita (71), que foi roubada enquanto esperava na fila

Os peregrinos de todo o Brasil que foram à cidade de Aparecida para assistir à missa presidida pelo papa Francisco nesta quarta-feira (24) se emocionam ao falar do pontífice, mas mudam a feição quando questionados sobre a organização, “sem informação e placas de aviso”, o que dificultou a circulação dos fiéis pelo Santuário.

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“Foi péssima a organização”, reclamou a dona de casa Maria da Glória, de 62 anos. “Ver o papa foi emocionante, mas não houve orientação a quem veio”. Catarinense, ela viajou 15 horas de ônibus até a basílica. “A gente vem de longe e chega aqui e encontra tudo bloqueado.”

Peregrina Maria da Gloria, 62 anos, em Aparecida
Wanderley Preite Sobrinho/iG
Peregrina Maria da Gloria, 62 anos, em Aparecida

Essa foi a mesma reclamação de Rose Meire, de São Paulo. “Ver o papa foi maravilhoso, me emocionei na consagração à Nossa Senhora, mas para ver isso eu custei até achar a entrada.” Ela foi orientada a mudar de portaria algumas vezes até finalmente encontrar um acesso improvisado entre as placas de metal instaladas por todo o santuário.

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“Eu não gostei das placas. Gastaram dinheiro à toa. A gente não achava a entrada nem a saída”, afirmou Sandra Lucia, que viajou de Cruzeiro, interior de São Paulo.

Susto maior levou a aposentada Valdeli Moreita (71), que foi roubada enquanto esperava na fila. “Vim de Joinville (SC). Estava na fila quando começou um empurra-empurra exatamente quando o papa chegou. Quando olhei a minha bolsa, ela estava aberta e minha carteira sumido. Não tinha muito dinheiro, mas meus documentos foram levados. Me senti como uma ovelha sem pastor.”

Confusão

A confusão começou cedo. Os portões do santuário, que deveria abrir às 5h30, atrasou mais de uma hora. A Polícia Militar tentava isolar os peregrinos de quem tentava furar a fila. A chuva e as placas de metal não ajudaram.

De acordo com o prefeito da cidade, Antônio Márcio Siqueira (PMDB), era justamente o uso desses bloqueios que evitaria o tumulto ocorrido no Rio de Janeiro, quando uma multidão cercou o papamovel na segunda-feira (22), durante o desfile do pontífice pelas ruas da cidade.

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